Sobre o Transtorno do Espectro Autista,
A pegadinha é decorar TEA como atraso de fala isolado: o diagnóstico exige os dois domínios, social e restritivo-repetitivo.
Os sintomas pertencem ao período inicial do desenvolvimento, mesmo que fiquem mais nítidos mais tarde.
Surdez é diagnóstico diferencial importante de alteração de comunicação, não elemento definidor do TEA.
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Contexto
O transtorno do espectro autista é um transtorno do neurodesenvolvimento. Pelos critérios do DSM-5-TR, publicado pela American Psychiatric Association em 2022, o diagnóstico exige dois grandes domínios: déficits persistentes de comunicação e interação social em múltiplos contextos e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. No primeiro domínio, devem estar comprometidas reciprocidade socioemocional, comunicação não verbal e capacidade de desenvolver, manter e compreender relacionamentos. No segundo, é necessário preencher pelo menos dois tipos de manifestação.
Os sintomas precisam estar presentes no período inicial do desenvolvimento, embora possam se tornar mais evidentes apenas quando as demandas sociais superam a capacidade adaptativa da criança. Portanto, é incorreto imaginar que o transtorno surja tipicamente depois dos oito anos. O diagnóstico é mais frequente em meninos, embora meninas possam ser subdiagnosticadas por apresentações menos reconhecidas ou maior capacidade de camuflagem social.
Alteração auditiva deve ser investigada quando há atraso de linguagem ou ausência de resposta ao chamado, mas surdez não é característica definidora nem associação obrigatória do TEA. Ela entra principalmente no diagnóstico diferencial e pode coexistir em uma minoria dos pacientes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Os sintomas pertencem ao período inicial do desenvolvimento e sinais podem ser percebidos já nos primeiros anos de vida. Oito anos é muito tarde para representar a idade habitual de início.
B) Incorreta. O diagnóstico de TEA é mais frequente no sexo masculino. A diferença entre sexos pode ser parcialmente influenciada por sub-reconhecimento em meninas, mas a alternativa continua falsa.
C) Correta (gabarito). A combinação de déficits de comunicação e interação social com comportamentos ou interesses restritos e repetitivos reproduz os dois eixos centrais do diagnóstico.
D) Incorreta. Surdez não caracteriza TEA. Crianças com deficiência auditiva podem apresentar atraso de linguagem e resposta reduzida ao nome, razão pela qual a avaliação auditiva pode ser necessária no diagnóstico diferencial.