No paciente vítima de colisão frontal, em relação à avaliação primária e à conduta subsequente,
Pegadinha central: cada exame do trauma tem um ponto cego. FAST negativo não exclui retroperitônio e amilase normal não exclui pâncreas.
Déficit neurológico cervical com TC óssea normal ainda pode ser lesão medular; pense em ressonância conforme o quadro.
Choque sem fonte evidente deve fazer lembrar pelve como reservatório de hemorragia importante.
Na prática moderna, TC é mais sensível que radiografia para fraturas pélvicas ocultas em paciente estável.
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Contexto
Na colisão frontal, a avaliação primária segue a lógica de identificar imediatamente ameaças à vida e fontes de hemorragia. Em hipotensão sem sangramento externo evidente, deve-se procurar hemorragia em tórax, abdome, retroperitônio, pelve e ossos longos. Uma fratura instável do anel pélvico pode armazenar grande volume de sangue e inicialmente manifestar-se apenas por choque.
Em paciente hemodinamicamente instável com trauma fechado e suspeita de fonte pélvica, a radiografia anteroposterior da pelve pode ser obtida rapidamente e identifica importantes disrupções do anel pélvico. Há uma nuance moderna: uma radiografia normal não exclui absolutamente todas as fraturas pélvicas, e a TC é mais sensível em pacientes estáveis. Assim, a alternativa C representa a lógica clássica da questão para afastar uma fratura pélvica significativa na avaliação inicial, mas uma suspeita clínica persistente não deve ser abandonada apenas por uma radiografia normal.
O FAST procura líquido livre intraperitoneal e pericárdico e tem limitações importantes para lesões de víscera oca e retroperitônio. Déficit neurológico após trauma cervical exige considerar lesão medular mesmo com TC óssea sem fratura, situação em que a ressonância pode ser necessária. No trauma pancreático, amilase e lipase precoces têm sensibilidade insuficiente, portanto valores normais não excluem lesão.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O sinal do cinto aumenta a suspeita de lesões intra-abdominais, especialmente de víscera oca e mesentério, além de outras lesões associadas. FAST negativo não exclui lesão retroperitoneal nem de víscera oca, porque o exame foi concebido principalmente para detectar líquido livre em compartimentos específicos.
B) Incorreta. Fraqueza e parestesias em membros superiores após trauma cervical podem indicar síndrome medular, como síndrome centromedular após hiperextensão. A TC é excelente para fraturas e alinhamento ósseo, mas não exclui com boa sensibilidade uma lesão intramedular, discal ou ligamentar em paciente com déficit neurológico.
C) Correta (gabarito). Uma fratura pélvica significativa pode manifestar-se inicialmente por hipotensão devido à hemorragia. A radiografia AP de pelve é ferramenta rápida da avaliação inicial, especialmente no instável. Pela prática atual, contudo, uma radiografia normal não substitui TC quando o paciente está estável e a suspeita persiste.
D) Incorreta. Trauma direto sobre epigástrio pode comprimir o pâncreas contra a coluna e causar lesão. Amilase sérica precoce pode permanecer normal e não possui sensibilidade suficiente para excluir trauma pancreático; a investigação depende de mecanismo, clínica e imagem contrastada, com reavaliação quando necessário.