Considerando-se o traçado eletrocardiográfico abaixo, de um paciente idoso, portador de insuficiência cardíaca, atendido em ambiente de Emergência, assinalar a alternativa CORRETA:

Pegadinha central: dissociação AV em taquicardia de QRS largo aponta fortemente para TV.
Idoso com cardiopatia estrutural e taquicardia larga deve ser tratado como TV até prova em contrário.
Brugada: intervalo RS maior que 100 ms favorece TV, não menor.
Adenosina pode ser considerada em WCT regular monomórfica estável e indeterminada, mas isso não transforma uma TV evidente em TSV.
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Contexto
O eletrocardiograma anexado mostra taquicardia regular de QRS largo e morfologia monomórfica. Em um paciente idoso com insuficiência cardíaca, portanto com cardiopatia estrutural, a probabilidade pré-teste de taquicardia ventricular é alta. Em taquicardia de QRS largo, a regra prática é presumir origem ventricular até que outra causa seja demonstrada.
O achado eletrocardiográfico que fecha o raciocínio da questão é a dissociação atrioventricular: ondas P seguem seu próprio ritmo, sem relação fixa com os complexos QRS. Isso demonstra que átrios e ventrículos estão sendo ativados independentemente e é um critério altamente específico para taquicardia ventricular. Batimentos de captura e de fusão, quando presentes, reforçam o mesmo diagnóstico.
As diretrizes AHA de Suporte Avançado de Vida de 2025 permitem considerar adenosina em paciente estável com taquicardia regular e monomórfica de QRS largo quando o mecanismo permanece incerto. Isso não significa que adenosina seja o tratamento esperado de uma taquicardia ventricular já sustentada por dissociação AV; a droga não costuma terminar taquicardia de origem ventricular.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Taquicardia supraventricular com aberrância faz parte do diferencial, mas o contexto de cardiopatia estrutural e, principalmente, a dissociação AV favorecem fortemente taquicardia ventricular.
B) Incorreta. Manobra vagal e adenosina são estratégias centrais nas taquicardias regulares de complexo estreito. Adenosina pode ser considerada de forma diagnóstica em taquicardia larga regular e monomórfica estável quando a origem é incerta, mas não se deve esperar restauração do ritmo sinusal em uma taquicardia ventricular sustentada por dissociação AV.
C) Correta (gabarito). Ondas P dissociadas dos complexos QRS demonstram atividade atrial independente da ativação ventricular. Em uma taquicardia regular de QRS largo, esse é um achado altamente específico para taquicardia ventricular e confirma a interpretação do traçado.
D) Incorreta. No algoritmo de Brugada, o critério que favorece taquicardia ventricular é intervalo entre o início da onda R e o nadir da onda S maior que 100 ms em uma derivação precordial com complexo RS. Menor que 100 ms não confirma TV.