A partir da figura sobre a incidência e a mortalidade por câncer de tireoide na Coréia do Sul entre 1999-2015, publicada em FLETCHER, analisar os itens abaixo:
I. O aumento do acesso à ultrassonografia na Coréia do Sul não contribuiu para o aumento da incidência de câncer de tireoide naquele país.
II. O processo que leva à detecção precoce de câncer por meio de um exame de rastreamento e que não traz benefício clínico para o paciente é chamado de sobrediagnóstico.
III. O desafio no rastreamento é diferenciar as lesões iniciais que causarão morbimortalidade daquelas que permanecerão sem relevância clínica ao longo da vida.

Pegadinha: sobrediagnóstico não é falso-positivo; é diagnóstico verdadeiro de doença que não causaria dano.
Incidência sobe muito sem redução da mortalidade após intensificação do rastreamento: pense em sobrediagnóstico.
Sobretratamento é uma consequência do sobrediagnóstico, não um sinônimo.
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Contexto
A figura mostra o exemplo clássico do sobrediagnóstico do câncer de tireoide na Coreia do Sul. Após ampliação do acesso aos serviços de saúde e rápida expansão do uso de ultrassonografia, a incidência aparente de câncer de tireoide aumentou várias vezes, enquanto a mortalidade permaneceu praticamente estável. Quando o rastreamento foi questionado publicamente, a incidência caiu de forma acentuada sem mudança paralela da mortalidade.
Sobrediagnóstico é a detecção correta de uma doença real que não produziria sintomas, morbidade relevante ou morte durante a vida do indivíduo. Não é falso-positivo: no sobrediagnóstico o tumor existe, mas sua descoberta não traz benefício clínico e pode gerar sobretratamento, cirurgia, complicações, ansiedade e custos.
O desafio central do rastreamento é separar doença biologicamente relevante de reservatórios de lesões indolentes. Quanto maior a capacidade de detectar alterações subclínicas muito pequenas, maior o risco de encontrar tumores que jamais se tornariam clinicamente importantes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O item I é falso. A própria curva sugere forte relação temporal entre expansão da ultrassonografia e aumento da incidência diagnosticada, sem queda correspondente da mortalidade.
B) Incorreta. O item II está correto, mas o III também. Sobrediagnóstico e incapacidade de distinguir lesões indolentes das biologicamente agressivas são problemas centrais do rastreamento.
C) Incorreta. O item III está correto, mas não é o único. O item II também define adequadamente o fenômeno de sobrediagnóstico.
D) Correta (gabarito). II e III estão corretos. O rastreamento pode detectar câncer que nunca causaria dano, e a dificuldade é saber antecipadamente qual lesão progredirá e qual permanecerá clinicamente irrelevante.