Delirium, demência e polifarmácia no idoso

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Questão 59
UFCSPA · 2023

Paciente do sexo masculino, de 80 anos, em segundo dia pós-operatório de cirurgia devido à fratura de quadril, inicia com quadro repentino de prejuízo da consciência, anormalidades no humor, alucinações visuais, delírios paranoides e agitação psicomotora.

Diante desse quadro, a conduta farmacológica mais adequada deve ser:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Idoso no segundo dia pós-operatório com início súbito de alteração da consciência, sintomas psicóticos e agitação apresenta quadro típico de delirium hiperativo. Delirium é uma síndrome aguda e flutuante de desatenção e alteração do nível de consciência, acompanhada de mudança cognitiva ou perceptiva. Cirurgia, dor, infecção, hipóxia, distúrbios hidroeletrolíticos, retenção urinária, constipação e fármacos são precipitantes frequentes no pós-operatório.

O tratamento principal é procurar e corrigir a causa, além de medidas não farmacológicas como reorientação, correção sensorial, sono, mobilização e presença familiar quando possível. Antipsicótico não trata a causa nem reduz obrigatoriamente a duração do delirium. Ele é reservado para agitação grave, sofrimento intenso ou risco de dano quando medidas de desescalada falham. A orientação do NICE permite haloperidol por curto período, na menor dose eficaz, com cautela para prolongamento do QT, efeitos extrapiramidais e contraindicações como parkinsonismo ou demência com corpos de Lewy.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Amitriptilina tem forte efeito anticolinérgico, pode piorar confusão e retenção urinária e é uma escolha particularmente ruim em idosos com delirium.

B) Incorreta. Fluoxetina é antidepressivo de início de ação tardio e não controla agitação psicomotora aguda do delirium. Além disso, iniciar antidepressivo não corrige o precipitante orgânico.

C) Correta (gabarito). Entre as opções apresentadas, haloperidol é a escolha clássica para controle de agitação grave associada ao delirium quando intervenções não farmacológicas são insuficientes. Deve ser usado em baixa dose, pelo menor tempo possível e com avaliação de risco cardíaco e neurológico.

D) Incorreta. Clorpromazina tem maior efeito anticolinérgico, sedativo e alfa-bloqueador, com maior risco de hipotensão e piora cognitiva no idoso. Por isso é menos apropriada do que haloperidol nesse cenário.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: haloperidol controla agitação perigosa, mas não é o tratamento etiológico do delirium.

  • Antes do antipsicótico, procure causa reversível e use medidas não farmacológicas.

  • Evite drogas anticolinérgicas em idoso confuso.

  • Se houver parkinsonismo, demência com corpos de Lewy ou QT muito prolongado, haloperidol exige cautela especial ou deve ser evitado.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Delirium, demência e polifarmácia no idoso” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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