RKC, 32 anos, primigesta, consulta com 16 semanas de gestação em uso de Espiramicina 3g/dia desde as 10 semanas, quando apresentou IgG e IgM positivos para toxoplasmose. Com 12 semanas, o exame de avidez de IgG foi de 10% (avidez baixa).
Pegadinha central: baixa avidez favorece infecção recente; alta avidez precoce é que afasta infecção adquirida na gestação.
PCR fetal é feita no líquido amniótico após 18 semanas e pelo menos cerca de 4 semanas após a infecção materna.
Sem evidência de infecção fetal, espiramicina é o esquema clássico inicial.
Infecção fetal confirmada muda o tratamento para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, conforme idade gestacional e protocolo.
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Contexto
IgG e IgM positivas no início da gestação, associadas a baixa avidez de IgG, sustentam infecção materna recente por Toxoplasma gondii. O Ministério da Saúde orienta iniciar espiramicina imediatamente quando existe possibilidade de infecção adquirida na gestação e usar a avidez de IgG precocemente para ajudar a datar a infecção.
Nessa paciente, a avidez de 10% foi medida com 12 semanas, portanto em janela útil. Baixa avidez não prova a data exata da infecção, mas impede classificá-la como antiga e, no contexto de IgM e IgG positivas, favorece infecção aguda. Enquanto não há demonstração de infecção fetal, mantém-se espiramicina para reduzir transmissão transplacentária.
A investigação fetal é feita com PCR do líquido amniótico após 18 semanas e, idealmente, pelo menos 4 semanas após a provável infecção materna. O esquema com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é empregado quando há infecção fetal confirmada ou forte suspeita, e também pode ser usado conforme o protocolo quando a amniocentese não está disponível após o primeiro trimestre.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Baixa avidez no primeiro trimestre não demonstra infecção anterior à gravidez. É a alta avidez precoce que torna infecção recente muito improvável e pode permitir suspensão da espiramicina em cenários adequados.
B) Incorreta. Não se recomenda alternância empírica entre espiramicina e o esquema tríplice. A mudança depende da investigação fetal, da idade gestacional e do protocolo adotado.
C) Correta (gabarito). A paciente tem provável infecção materna recente, ainda sem prova de infecção fetal. Deve manter espiramicina e programar amniocentese com PCR do líquido amniótico após 18 semanas, respeitando também intervalo suficiente desde a provável infecção materna.
D) Incorreta. Trocar imediatamente para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico antes de demonstrar ou suspeitar fortemente de infecção fetal não é o passo inicial da situação descrita. A pirimetamina também é evitada no início da gestação por seu antagonismo do folato.