Paciente com 39 anos, sem filhos, vem à consulta referindo fluxo menstrual aumentado nos últimos três meses. Traz ecografia transvaginal sugestiva de adenomiose leve e difusa e hemoglobina de 12,2g/dL.
Pegadinha central: adenomiose no ultrassom não significa indicação automática de GnRH ou cirurgia.
Gravidade dos sintomas, anemia e desejo reprodutivo pesam mais que o achado de imagem isolado.
Ferro intravenoso não é rotina em paciente estável e não anêmica.
Histerectomia é definitiva; em quem deseja preservar fertilidade, deve-se priorizar manejo conservador.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Adenomiose é presença de glândulas e estroma endometriais no miométrio, causando hipertrofia muscular e podendo produzir sangramento menstrual aumentado, dismenorreia e útero globoso. O tratamento depende de intensidade dos sintomas, desejo reprodutivo, anemia, idade e extensão da doença. Nesta paciente, a doença é descrita como leve e difusa, os sintomas são recentes, a hemoglobina é 12,2 g/dL e não existe instabilidade ou anemia estabelecida.
Por isso, o primeiro passo pode ser conservador: documentar padrão e duração do sangramento, reavaliar sintomas e pesquisar deficiência de ferro se houver suspeita clínica. Se houver necessidade de ferro, a via oral costuma ser preferida em paciente estável; ferro intravenoso é reservado a situações como intolerância, má absorção, anemia mais relevante ou necessidade de reposição rápida.
Em paciente sintomática que deseja tratamento, opções modernas incluem contraceptivos combinados, progestagênios e sistema intrauterino com levonorgestrel, conforme desejo reprodutivo e elegibilidade. Análogos de GnRH são opções de segunda linha ou temporárias por efeitos hipoestrogênicos. Histerectomia é tratamento definitivo, incompatível com preservação uterina.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a alternativa proporcional ao quadro: paciente estável, sem anemia e com doença leve. Calendário menstrual permite objetivar o sangramento e a reavaliação evita intervenção excessiva. A suplementação preventiva de ferro pode ser individualizada, idealmente conforme dieta e estoques de ferro.
B) Incorreta. Análogo de GnRH por seis meses e ferro injetável representam tratamento excessivo para doença leve sem anemia. GnRH não é primeira linha nesse perfil e reposição intravenosa não se justifica com hemoglobina normal sem evidência de deficiência importante.
C) Incorreta. Não há indicação de internação, ferro intravenoso ou histerectomia. A paciente está hemodinamicamente estável, não é anêmica e não concluiu sua vida reprodutiva.
D) Incorreta. Repete a mesma desproporção terapêutica: GnRH e ferro intravenoso não são medidas iniciais necessárias em adenomiose leve com hemoglobina preservada.