Em relação ao tratamento da hipercalemia grave, analisar os itens abaixo:
I. A insulina promove a entrada do Potássio (K) na célula, corrigindo a hipercalemia.
II. A administração de glicose hipertônica associada à insulina no tratamento da hipercalemia evita a hipoglicemia.
III. A administração intravenosa de bicarbonato de sódio está indicada para evitar arritmia na hipercalemia.
Pegadinha central: cálcio protege o coração; insulina desloca K; nenhum dos dois remove potássio do corpo.
Glicose acompanha a insulina para reduzir hipogliccemia, mas ainda é obrigatório monitorar a glicemia nas horas seguintes.
Bicarbonato não é rotina na hipercalemia e ganha utilidade principalmente quando há acidose metabólica.
Na hipercalemia grave, pensar sempre em proteção, redistribuição e remoção.
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Contexto
Na hipercalemia grave, o tratamento deve responder a três perguntas diferentes: é preciso proteger o coração, deslocar potássio para dentro da célula e remover potássio do organismo. A diretriz da UK Kidney Association, atualizada em 2026, mantém essa lógica. Cálcio intravenoso estabiliza a membrana miocárdica quando há alterações eletrocardiográficas; insulina com glicose desloca potássio temporariamente para o meio intracelular; diálise, diuréticos em pacientes apropriados e agentes ligadores de potássio atuam na remoção corporal conforme o cenário.
Um esquema usado em adultos é insulina regular intravenosa associada a 25 g de glicose, com monitorização seriada da glicemia. A glicose reduz o risco de hipoglicemia, mas não o elimina, portanto a formulação do item II deve ser entendida no sentido de prevenção e não de garantia absoluta. Bicarbonato intravenoso não é tratamento rotineiro da hipercalemia e pode ser considerado principalmente quando existe acidose metabólica relevante; ele não substitui o cálcio para proteção cardíaca.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Os itens I e II expressam a estratégia de deslocamento intracelular. A insulina ativa transporte celular de potássio e a glicose é administrada para diminuir o risco de hipoglicemia induzida pela insulina, mantendo-se monitorização glicêmica após a dose.
B) Incorreta. O item II é aceito pela questão, mas o III é falso. Bicarbonato não é a medicação indicada especificamente para estabilizar o miocárdio e evitar arritmia.
C) Incorreta. O item I é verdadeiro, mas o item III é falso. Na presença de alterações eletrocardiográficas por hipercalemia, a droga de proteção imediata é o cálcio intravenoso.
D) Incorreta. Nem todos os itens estão corretos porque bicarbonato não constitui terapia antiarrítmica específica da hipercalemia e não deve ser usado rotineiramente sem indicação adicional, como acidose metabólica relevante.