Mulher de 29 anos traz citologia do colo do útero com resultado de lesão intraepitelial de baixo grau e ultrassonografia com gestação de 24 semanas. Refere que citologia anterior foi negativa.
Pegadinha central: LSIL na gestação não é indicação de tratamento imediato.
O objetivo durante a gestação é excluir invasão quando o risco justificar, não erradicar lesão de baixo grau.
Diretriz brasileira citológica clássica permite avaliação após três meses do parto para LSIL.
Citologia de alto grau ou suspeita de invasão muda o manejo e pode exigir colposcopia e biópsia ainda na gestação.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
LSIL corresponde a alteração citológica de baixo grau, geralmente relacionada a infecção transitória por HPV e com alta taxa de regressão. Durante a gestação, o objetivo principal é não perder câncer invasor, evitando ao mesmo tempo investigação e tratamento desnecessários de lesões com baixo risco imediato.
As Diretrizes Brasileiras do INCA de 2016, baseadas em citologia, recomendam que gestante com LSIL faça abordagem diagnóstica após três meses do parto, porque alterações fisiológicas da gestação podem dificultar a colposcopia e favorecer sobrediagnóstico. A orientação contemporânea da ASCCP, atualizada em 2024, usa risco de CIN3+ e admite diferir colposcopia para o pós-parto em cenários de baixo risco e seguimento confiável. Tratamento de lesão intraepitelial durante a gestação não é recomendado sem suspeita de invasão.
Quando há citologia de alto grau, achado colposcópico suspeito ou risco relevante de CIN3+, a lógica muda: colposcopia na gestação pode ser necessária e biópsia dirigida é segura quando clinicamente indicada. Curetagem endocervical é contraindicada na gestação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Colposcopia com biópsia imediata não é necessária de rotina para LSIL isolada no cenário brasileiro clássico de baixo risco. Biópsia durante a gestação é reservada a lesões colposcopicamente suspeitas, especialmente quando se precisa excluir invasão.
B) Incorreta. Não há benefício em apenas transferir a colposcopia para o terceiro trimestre. Para LSIL de baixo risco, a referência cobrada pela questão permite avaliação depois do parto.
C) Incorreta. Lesão intraepitelial sem suspeita de câncer invasor não deve ser tratada durante a gestação. O trimestre gestacional não transforma LSIL em indicação de tratamento.
D) Correta (gabarito). A paciente tem LSIL, citologia anterior negativa e nenhuma informação sugerindo invasão. A conduta da referência brasileira utilizada pela prova é reavaliar após o parto, quando o colo já passou pelas alterações gestacionais e puerpério inicial.