Aline, 37 anos, hígida, nuligesta, procura atendimento no ambulatório de Ginecologia referindo desejo de gestar há 7 meses. Utiliza aplicativo para controle do período fértil e refere ter ciclos menstruais regulares, com duração média de 29 dias. Seu parceiro, Tiago, é saudável e tem uma filha de 2 anos, de seu relacionamento anterior. O casal mantém relações cerca de três vezes por semana. A respeito da investigação das causas de infertilidade, analisar os itens abaixo:
I. A avaliação do fator tuboperitoneal pode ser realizada por histerossalpingografia, histerossonografia ou videolaparoscopia.
II. O casal não tem indicação de investigação neste momento, visto que não completou 12 meses de tentativas de engravidar.
III. Deve ser solicitada triagem para doenças infecciosas: VDRL, HBsAg, Anti-HCV, Anti-HIV, HTLV I/II e Clamídia.
IV. Em virtude de Tiago ter uma filha pequena, não é necessária a realização de espermograma.
Pegadinha central: 35 anos ou mais muda o corte de investigação de 12 para 6 meses.
Paternidade prévia não exclui fator masculino atual.
Histerossalpingografia e histerossonografia com contraste são métodos usuais para permeabilidade; laparoscopia não deve ser feita rotineiramente só para testar as trompas.
Ciclos regulares entre 21 e 35 dias geralmente dispensam confirmação laboratorial de ovulação.
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Contexto
A idade feminina define quando iniciar a investigação. O parecer da American Society for Reproductive Medicine, ASRM 2021, recomenda investigação após 6 meses de relações regulares sem contracepção em mulheres com 35 anos ou mais; acima de 40 anos, a avaliação pode ser ainda mais imediata. Aline tem 37 anos e tenta gestar há 7 meses, portanto já preenche critério para investigação.
A avaliação deve ocorrer de forma paralela no casal. Ciclos regulares de 21 a 35 dias tornam ovulação habitual muito provável e dispensam, em geral, testes adicionais para confirmar ovulação. A investigação básica inclui avaliação da cavidade e permeabilidade tubária quando indicada e espermograma do parceiro mesmo que ele já tenha sido pai, porque fertilidade masculina pode mudar com idade, doenças, exposições, medicamentos ou alterações testiculares adquiridas.
O item III corresponde ao protocolo de triagem infecciosa adotado pela prova. Nas recomendações contemporâneas, HIV, hepatites B e C e sífilis integram frequentemente a avaliação pré-concepcional ou de reprodução assistida, enquanto clamídia e HTLV I/II podem depender do contexto epidemiológico, história clínica e protocolo do serviço. Assim, não se deve interpretar esse painel exato como teste universal de causa de infertilidade em toda paciente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O item I é aceito, mas o item II é falso. Aos 37 anos, sete meses de tentativas já justificam investigação, sem necessidade de esperar completar 12 meses.
B) Correta (gabarito). Os itens I e III são os considerados corretos pela banca. A avaliação tuboperitoneal pode envolver métodos radiológicos, ultrassonográficos ou, quando há indicação própria, videolaparoscopia com cromotubagem. A triagem infecciosa acompanha protocolos pré-concepcionais e de reprodução assistida.
C) Incorreta. O item IV é falso. Paternidade prévia não prova fertilidade masculina atual e não dispensa espermograma.
D) Incorreta. Os itens II e IV são falsos: mulher com 35 anos ou mais deve ser investigada após 6 meses, e o parceiro continua precisando de avaliação seminal.