Pegadinha central: pólipo vesicular de 6 a 9 mm sem fator de risco não vai direto para cirurgia.
Pólipo de pelo menos 10 mm é o corte clássico que favorece colecistectomia.
Vesícula em porcelana deixou de ser indicação cirúrgica automática em toda pessoa assintomática; o padrão de calcificação importa.
Questões antigas costumam cobrar como indicação profilática tanto cálculo muito grande quanto vesícula calcificada.
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Contexto
A questão mistura quatro situações em que o tamanho, os sintomas e o risco de câncer de vesícula orientam a decisão. Para pólipos, a diretriz conjunta europeia publicada em 2022 recomenda colecistectomia para lesões de 10 mm ou mais. Entre 6 e 9 mm, a cirurgia é indicada se houver fator adicional de risco, como idade acima de 60 anos, colangite esclerosante primária, etnia asiática ou lesão séssil com espessamento focal da parede acima de 4 mm. Sem esses fatores, a recomendação é acompanhamento ultrassonográfico.
Existe uma atualização importante em relação à alternativa D. A chamada vesícula em porcelana já foi considerada indicação profilática quase automática de colecistectomia. Evidência contemporânea mostra que o risco de câncer é menor do que se supunha e varia com o padrão de calcificação: calcificação mucosa seletiva preocupa mais; calcificação intramural completa parece ter risco menor. Portanto, em 2026, um paciente assintomático com parede calcificada deve ser individualizado. O gabarito da prova é mantido porque ela usa a referência cirúrgica clássica em que essa condição era tratada como indicação eletiva.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a exceção. Um pólipo de 8 mm, em paciente assintomático e sem fatores adicionais de risco descritos, não exige colecistectomia inicial; a conduta usual é vigilância ultrassonográfica.
B) Incorreta. Não é a exceção segundo a lógica da prova. Cálculo de 3,5 cm entra na categoria de cálculo muito volumoso, tradicionalmente associado a maior risco de complicações e câncer de vesícula, podendo justificar colecistectomia profilática em paciente selecionado. Na prática atual, essa decisão deve considerar risco cirúrgico e contexto individual.
C) Incorreta. Não é a exceção. Adenomiomatose sintomática pode ser tratada com colecistectomia, especialmente quando os sintomas são compatíveis e outras causas foram excluídas.
D) Incorreta. Não é a exceção segundo a referência utilizada pela prova, que considera a vesícula calcificada uma indicação eletiva clássica. Contudo, essa é a alternativa que mais envelheceu: hoje a colecistectomia profilática não é obrigatória para todo assintomático, e o padrão de calcificação, idade, comorbidades e risco operatório precisam ser ponderados.