Em relação ao achado de pólipos gástricos em endoscopia digestiva alta realizada para avaliação de queixas dispépticas,
Pegadinha central: adenoma gástrico é pré-maligno e deve ser ressecado.
Pólipo hiperplásico não é sinônimo de risco zero; procure doença da mucosa de fundo e H. pylori.
Pólipo fúndico esporádico associado a inibidor de bomba de prótons costuma ter baixo risco; o cenário muda na polipose adenomatosa familiar.
Carcinoma em pólipo gástrico exige critérios de curabilidade endoscópica, não uma regra simples baseada apenas no diâmetro.
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Contexto
Nos pólipos gástricos, o nome histológico muda completamente o risco e a conduta. A diretriz do American College of Gastroenterology de 2025 recomenda ressecção endoscópica de todos os adenomas gástricos quando tecnicamente possível, porque são lesões displásicas e precursoras de adenocarcinoma. A mucosa ao redor também importa, pois atrofia, metaplasia intestinal, gastrite autoimune e infecção por Helicobacter pylori podem definir risco adicional.
Pólipos hiperplásicos não devem ser chamados de biologicamente inertes: podem conter displasia, e a transformação maligna é rara, mas documentada. Além disso, a infecção por H. pylori deve ser pesquisada e tratada quando presente. Já os pólipos de glândulas fúndicas associados a inibidor de bomba de prótons não representam, por si só, uma manifestação pré-maligna típica da medicação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Adenoma gástrico é lesão pré-neoplásica com risco de progressão para adenocarcinoma. Por isso, a conduta atual é ressecção endoscópica quando possível, além de avaliação da mucosa gástrica de fundo.
B) Incorreta. Pólipos de glândulas fúndicas podem aumentar em frequência com uso prolongado de inibidor de bomba de prótons, mas os pólipos esporádicos têm baixo potencial maligno. A pegadinha é transformar uma associação medicamentosa em estado pré-maligno obrigatório.
C) Incorreta. A relação com gastrite crônica e H. pylori está correta, mas é falso dizer que não há potencial de transformação maligna nem necessidade de medidas adicionais. Deve-se avaliar tamanho, histologia, mucosa adjacente e H. pylori.
D) Incorreta. Tamanho maior que 2 cm e morfologia séssil não bastam para definir ressecção endoscópica como tratamento curativo de qualquer pólipo com carcinoma invasivo. Profundidade de invasão, diferenciação, ulceração, invasão linfovascular, margens e possibilidade de ressecção completa definem se o tratamento endoscópico é suficiente ou se cirurgia é necessária.