Sobre a avaliação de dor abdominal,
Pegadinha central: imagem não deve ser transformada em ritual quando o quadro já mostra peritonite e necessidade de controle cirúrgico.
Apendicite típica pode ser diagnóstico clínico em pacientes selecionados; casos intermediários ou atípicos ganham muito com imagem.
Pneumoperitônio mais abdome em tábua é perfuração de víscera oca até prova em contrário.
Colelitíase: ultrassonografia primeiro.
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Contexto
Na dor abdominal aguda, o exame de imagem deve responder a uma dúvida clínica e nunca atrasar uma intervenção já indicada por sinais de abdome cirúrgico. Na apendicite, as diretrizes WSES orientam estratificação por probabilidade clínica: pacientes de risco intermediário se beneficiam de imagem, enquanto pacientes selecionados com quadro muito típico e alta probabilidade podem seguir para laparoscopia sem tomografia pré-operatória obrigatória. A presença de irritação peritoneal aumenta ainda mais a preocupação com doença cirúrgica.
O mesmo raciocínio vale para pneumoperitônio. Ar livre subdiafragmático associado a abdome em tábua é evidência de perfuração de víscera oca até prova em contrário. Em um paciente com peritonite franca, a prioridade é ressuscitação, antibiótico e controle cirúrgico da fonte; tomografia pode ser útil em casos estáveis e duvidosos, mas não precisa ser feita apenas para comprovar um diagnóstico já evidente.
Para colelitíase, o exame inicial de escolha é ultrassonografia de abdome, que demonstra cálculos, sombra acústica, mobilidade, espessamento parietal e dilatação biliar. Tomografia é menos sensível para muitos cálculos, especialmente os predominantemente colesterol.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Migração da dor do epigástrio para a fossa ilíaca direita, evolução em 24 horas e sinal de Blumberg positivo compõem apresentação clássica com irritação peritoneal. Em cenário de alta probabilidade clínica, não se exige exame de imagem confirmatório para decidir abordagem cirúrgica, embora a prática atual use imagem com mais frequência quando há dúvida diagnóstica.
B) Incorreta. Abdome em tábua e pneumoperitônio já configuram forte evidência de perfuração de víscera oca. Exigir tomografia comprobatória antes da cirurgia pode atrasar o controle da fonte. A tomografia fica para situações em que o diagnóstico, a estabilidade ou a localização da perfuração ainda precisam ser esclarecidos sem atrasar tratamento.
C) Incorreta. O melhor exame inicial para colelitíase sintomática é a ultrassonografia, não a tomografia.
D) Incorreta. Diverticulite de Meckel pode mimetizar apendicite, principalmente em crianças, mas não tem frequência equivalente à apendicite aguda. A palavra que torna a alternativa errada é igual frequência.