Gestante acompanhada no pré-natal em UBS. G2 P1, primeira gestação com recém-nascido (RN) a termo, tendo recebido Ampicilina durante o Trabalho de Parto (TP) por ter apresentado rastreio positivo para estreptococo do Gupo B (EGB) com 37 semanas. Na primeira consulta desta gestação indaga sobre as condutas a serem tomadas pois leu na internet que este germe pode matar seu bebê e nenhuma orientação foi-lhe dada anteriormente.
A pegadinha central é confundir tratamento da ITU durante a gestação com profilaxia intraparto. Uma medida não substitui a outra.
EGB na urina em qualquer contagem durante a gestação indica profilaxia intraparto.
Atualização internacional: rastreio universal entre 36 semanas e 0 dias e 37 semanas e 6 dias.
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Contexto
O Streptococcus agalactiae, estreptococo do grupo B, coloniza trato gastrointestinal e genital e é uma das principais causas de sepse neonatal precoce. A transmissão ocorre principalmente durante o trabalho de parto ou após a rotura das membranas. A profilaxia antibiótica intraparto reduz de forma importante a doença neonatal precoce quando existe indicação.
Segundo o ACOG 2020, bacteriúria por EGB em qualquer concentração durante a gestação é marcador de colonização materna importante e constitui indicação de profilaxia intraparto. Quando há 10^5 UFC/mL ou mais, mesmo sem sintomas, ou quando existe infecção urinária sintomática, também é necessário tratamento durante a própria gestação. Portanto, não se deve aguardar o trabalho de parto para tratar uma ITU por EGB.
Há duas atualizações que tornam a redação da prova histórica. O ACOG recomenda atualmente rastreamento vaginal e retal entre 36 semanas e 0 dias e 37 semanas e 6 dias, em vez de 35 a 37 semanas. Além disso, colonização positiva em gestação anterior não determina profilaxia automática quando o resultado da gestação atual é conhecido, mas pode influenciar a decisão se a paciente chega ao termo com estado de colonização desconhecido. Mantém-se o gabarito C porque é a alternativa inequivocamente errada no núcleo da questão.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Como resposta ao comando que pede a orientação errada, esta afirmação está correta. A profilaxia intraparto reduz o risco de sepse e outras formas de doença neonatal precoce por EGB.
B) Incorreta. Colonização em gestação anterior não substitui o rastreamento da gestação atual. Ressalva atual: se o estado de EGB desta gestação for desconhecido no início do trabalho de parto a termo, antecedente de colonização prévia pode favorecer a realização da profilaxia.
C) Correta (gabarito). Esta é a orientação errada. ITU sintomática por EGB deve ser tratada durante a gestação; bacteriúria em contagem igual ou superior a 10^5 UFC/mL também requer tratamento. Em ambos os cenários, a identificação de EGB na urina ainda determina profilaxia intraparto.
D) Incorreta. A alternativa reproduz a janela histórica utilizada pela prova. Atualização: o ACOG 2020 e o CDC atualmente orientam coleta entre 36 semanas e 0 dias e 37 semanas e 6 dias, salvo situações em que já exista indicação independente de profilaxia intraparto.