Pneumonia adquirida na comunidade

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Questão 5
UFCSPA · 2024

Paciente de 40 anos com história de febre há 48 horas, tosse seca e mal estar geral. Trabalha como técnico de enfermagem. Nega doenças prévias. Ao exame físico, apresenta estertores crepitantes bilaterais. O Rx de tórax está abaixo:

Figura da questão 5 da UFCSPA 2024
Figura da questão

Com base na história clínica e nos achados de imagem, assinale a alternativa CORRETA:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de pneumonia adquirida na comunidade: febre, tosse, mal-estar, estertores e infiltrados pulmonares. Na radiografia apresentada há opacidades pulmonares bilaterais e multifocais, predominando em regiões médias/perihilares, sem derrame pleural volumoso evidente. Esse padrão confirma comprometimento pulmonar, mas não identifica o agente etiológico.

A radiografia de tórax pode mostrar consolidação lobar, padrão broncopneumônico, intersticial ou multifocal, porém nenhum desses padrões é patognomônico de pneumococo, Legionella, micoplasma ou vírus. A etiologia deve ser inferida pelo conjunto clínico, epidemiológico e microbiológico quando houver indicação de investigação.

Para pacientes internados com PAC não grave, a combinação de beta-lactâmico mais macrolídeo permanece uma estratégia empírica padrão para cobrir pneumococo e agentes atípicos. A ATS Clinical Practice Guideline 2025 mantém terapia combinada beta-lactâmico mais macrolídeo ou fluoroquinolona respiratória como esquemas de referência para pacientes internados. Em um adulto previamente hígido tratado ambulatorialmente, a escolha pode ser mais estreita; portanto, o gabarito A pressupõe um cenário em que a dupla cobertura empírica é indicada.

Se for utilizada uma fluoroquinolona respiratória, como levofloxacino ou moxifloxacino, ela já cobre agentes atípicos, de modo que não se associa macrolídeo rotineiramente apenas para ampliar essa cobertura. Legionella pneumophila pode produzir infiltrados multilobares ou bilaterais e deve entrar no diferencial conforme gravidade e contexto epidemiológico.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A associação de um beta-lactâmico a um macrolídeo oferece cobertura empírica de agentes típicos, especialmente pneumococo, e de agentes atípicos. É um esquema clássico e atual para PAC em paciente internado sem fatores que exijam cobertura específica para MRSA ou Pseudomonas.

B) Incorreta. A imagem não é patognomônica de pneumonia pneumocócica. Mesmo consolidação lobar pode ocorrer com outros agentes, e infiltrados bilaterais multifocais ampliam ainda mais o diferencial.

C) Incorreta. Fluoroquinolonas respiratórias já têm atividade contra pneumococo e patógenos atípicos, incluindo Legionella. Associar macrolídeo rotineiramente para 'cobrir atípicos' é redundante.

D) Incorreta. Legionella pode causar pneumonia extensa, multilobar e bilateral. Bilateralidade não exclui essa etiologia.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é tentar diagnosticar o agente pela radiografia: padrão radiológico não é sinônimo de etiologia.

  • PAC internada não grave: beta-lactâmico mais macrolídeo é uma estratégia empírica de alto rendimento para prova.

  • Levofloxacino ou moxifloxacino já cobrem germes atípicos; não precisam de macrolídeo só por esse motivo.

  • Ser profissional de saúde, isoladamente, não define necessidade de cobertura para MRSA; procure fatores de risco microbiológicos específicos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pneumonia adquirida na comunidade” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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