A pegadinha central é esquecer a proteinúria basal: sem ela, fica mais difícil reconhecer pré-eclâmpsia sobreposta.
HAS crônica é fator de alto risco para pré-eclâmpsia e justifica prevenção com AAS conforme o protocolo adotado.
Tiazídico não é sinônimo de teratógeno proibido; a decisão depende do contexto e do uso prévio.
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Contexto
Hipertensão arterial crônica na gestação é aquela presente antes da gravidez, diagnosticada antes de 20 semanas ou persistente após o puerpério. Ela aumenta o risco de pré-eclâmpsia sobreposta, síndrome HELLP, descolamento prematuro de placenta, restrição do crescimento fetal, parto prematuro, cesariana e complicações cardiovasculares e renais maternas.
A avaliação inicial deve documentar função renal e lesão de órgão-alvo. Creatinina, eletrólitos e quantificação basal de proteína urinária, frequentemente pela relação proteína/creatinina, são importantes porque permitem distinguir proteinúria pré-existente de uma nova alteração compatível com pré-eclâmpsia sobreposta.
Há divergência entre o gabarito histórico e recomendações atuais sobre a alternativa C. ACOG e SMFM recomendam AAS em baixa dose para gestantes com hipertensão crônica, iniciada entre 12 e 28 semanas, idealmente antes de 16 semanas, e mantida até o parto. Já recomendações brasileiras podem usar doses e momento de suspensão diferentes, frequentemente próximas de 36 semanas. Assim, a frase C pode ser defensável em protocolos internacionais atuais. Mantém-se o gabarito A porque é a alternativa oficial e descreve de forma inequívoca as complicações da hipertensão crônica.
Quanto aos anti-hipertensivos, nifedipino de liberação prolongada e labetalol são opções amplamente utilizadas; metildopa permanece opção possível. Diuréticos tiazídicos não são absolutamente proibidos e podem ser mantidos em situações selecionadas, embora não sejam usualmente iniciados como primeira escolha durante a gestação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Pré-eclâmpsia sobreposta, HELLP, maior frequência de cesariana e deterioração renal estão entre as complicações maternas relevantes associadas à hipertensão crônica.
B) Incorreta. Função renal e proteinúria basal devem ser avaliadas no início do pré-natal, mesmo quando a pressão não está gravemente elevada, pois servem como referência para detectar pré-eclâmpsia sobreposta.
C) Incorreta. Mantendo o gabarito histórico, esta não foi a resposta escolhida. Ressalva atual: ACOG e SMFM recomendam AAS 81 mg para hipertensão crônica, iniciada entre 12 e 28 semanas e continuada até o parto; outros protocolos adotam suspensão por volta de 36 semanas.
D) Incorreta. A frase erra ao classificar tiazídicos como simplesmente inseguros. Seu uso não é primeira escolha para iniciar tratamento, mas pode ser mantido em pacientes selecionadas. Metoprolol também não é o betabloqueador de referência mais usado em diretrizes obstétricas, que favorecem labetalol quando disponível.