Com relação ao choque séptico em Pediatria, considere as afirmativas a seguir:
I. A mortalidade de crianças com sepse deve-se principalmente ao choque séptico refratário e/ou síndrome de disfunção de múltiplos órgãos e sistemas, quadros que se desenvolvem nas primeiras 48-72 horas do tratamento.
II. Os antibióticos devem ser iniciados dentro da primeira hora após o reconhecimento, idealmente antecedidos da coleta de hemocultura.
III. Quanto ao emprego de drogas vasoativas, orienta-se usar dopamina em choque com baixo débito cardíaco e epinefrina em choque hipotensivo.
A pegadinha central é antiga: dopamina não é mais o vasoativo padrão do choque séptico pediátrico.
Surviving Sepsis Campaign 2026: suspeita de choque séptico, antibiótico o mais rápido possível, idealmente em até 1 hora.
Colha hemocultura antes se isso não atrasar o antimicrobiano.
Em 2026, não há evidência suficiente para declarar epinefrina ou norepinefrina superior como primeira escolha universal.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Choque séptico pediátrico é uma emergência tempo-dependente. A mortalidade concentra-se principalmente em crianças que evoluem com choque refratário e síndrome de disfunção de múltiplos órgãos, frequentemente nas primeiras horas e dias da doença. Reconhecimento precoce, antimicrobiano, ressuscitação hemodinâmica e controle do foco precisam ocorrer em paralelo.
A Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Sepsis and Septic Shock in Children 2026 recomenda que, em criança com suspeita de choque séptico, o antimicrobiano seja iniciado o mais rápido possível, idealmente dentro de 1 hora do reconhecimento. Hemoculturas devem ser obtidas antes do antibiótico quando isso não causar atraso substancial. Para provável sepse sem choque, a diretriz admite investigação rápida e início idealmente em até 3 horas quando a suspeita se sustenta.
A recomendação sobre vasoativos também mudou em relação a algoritmos antigos baseados rigidamente em choque frio ou quente. A diretriz de 2026 considera insuficiente a evidência para preferir epinefrina ou norepinefrina como primeira escolha universal. Na prática, a seleção deve acompanhar a fisiologia hemodinâmica e o contexto. Dopamina deixou de ser o agente preferencial de rotina; recomendações anteriores já favoreciam epinefrina ou norepinefrina em relação à dopamina.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). I e II estão corretas. Choque refratário e disfunção de múltiplos órgãos explicam grande parte da mortalidade precoce, e antibiótico deve ser administrado rapidamente, idealmente após hemocultura quando a coleta não atrasar a primeira dose.
B) Incorreta. A afirmativa III é falsa porque coloca dopamina como estratégia orientada por baixo débito e epinefrina apenas para choque hipotensivo. Essa abordagem rígida é ultrapassada; epinefrina e norepinefrina são os vasoativos preferidos conforme o perfil fisiológico.
C) Incorreta. II é verdadeira, mas III é falsa. Além disso, a alternativa exclui I, que descreve corretamente a evolução grave precoce por choque refratário e disfunção de múltiplos órgãos.
D) Incorreta. Nem todas as afirmativas são corretas, pois III utiliza um esquema de escolha de vasoativo que não corresponde às recomendações atuais.