Choque e desidratação na criança

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 15
UFCSPA · 2024

Com relação ao choque séptico em Pediatria, considere as afirmativas a seguir:

I. A mortalidade de crianças com sepse deve-se principalmente ao choque séptico refratário e/ou síndrome de disfunção de múltiplos órgãos e sistemas, quadros que se desenvolvem nas primeiras 48-72 horas do tratamento.

II. Os antibióticos devem ser iniciados dentro da primeira hora após o reconhecimento, idealmente antecedidos da coleta de hemocultura.

III. Quanto ao emprego de drogas vasoativas, orienta-se usar dopamina em choque com baixo débito cardíaco e epinefrina em choque hipotensivo.

Estão CORRETAS:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Choque séptico pediátrico é uma emergência tempo-dependente. A mortalidade concentra-se principalmente em crianças que evoluem com choque refratário e síndrome de disfunção de múltiplos órgãos, frequentemente nas primeiras horas e dias da doença. Reconhecimento precoce, antimicrobiano, ressuscitação hemodinâmica e controle do foco precisam ocorrer em paralelo.

A Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Sepsis and Septic Shock in Children 2026 recomenda que, em criança com suspeita de choque séptico, o antimicrobiano seja iniciado o mais rápido possível, idealmente dentro de 1 hora do reconhecimento. Hemoculturas devem ser obtidas antes do antibiótico quando isso não causar atraso substancial. Para provável sepse sem choque, a diretriz admite investigação rápida e início idealmente em até 3 horas quando a suspeita se sustenta.

A recomendação sobre vasoativos também mudou em relação a algoritmos antigos baseados rigidamente em choque frio ou quente. A diretriz de 2026 considera insuficiente a evidência para preferir epinefrina ou norepinefrina como primeira escolha universal. Na prática, a seleção deve acompanhar a fisiologia hemodinâmica e o contexto. Dopamina deixou de ser o agente preferencial de rotina; recomendações anteriores já favoreciam epinefrina ou norepinefrina em relação à dopamina.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). I e II estão corretas. Choque refratário e disfunção de múltiplos órgãos explicam grande parte da mortalidade precoce, e antibiótico deve ser administrado rapidamente, idealmente após hemocultura quando a coleta não atrasar a primeira dose.

B) Incorreta. A afirmativa III é falsa porque coloca dopamina como estratégia orientada por baixo débito e epinefrina apenas para choque hipotensivo. Essa abordagem rígida é ultrapassada; epinefrina e norepinefrina são os vasoativos preferidos conforme o perfil fisiológico.

C) Incorreta. II é verdadeira, mas III é falsa. Além disso, a alternativa exclui I, que descreve corretamente a evolução grave precoce por choque refratário e disfunção de múltiplos órgãos.

D) Incorreta. Nem todas as afirmativas são corretas, pois III utiliza um esquema de escolha de vasoativo que não corresponde às recomendações atuais.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é antiga: dopamina não é mais o vasoativo padrão do choque séptico pediátrico.

  • Surviving Sepsis Campaign 2026: suspeita de choque séptico, antibiótico o mais rápido possível, idealmente em até 1 hora.

  • Colha hemocultura antes se isso não atrasar o antimicrobiano.

  • Em 2026, não há evidência suficiente para declarar epinefrina ou norepinefrina superior como primeira escolha universal.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Choque e desidratação na criança” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →