A pegadinha central é tratar ascite como contraindicação absoluta. Primeiro controle a ascite; depois reavalie reparo eletivo.
Cirurgia de emergência em cirrótico com ascite costuma ter risco maior que reparo eletivo bem planejado.
Atualização importante: tela é recomendada para a maioria dos defeitos; sutura isolada fica sobretudo para defeitos menores que 1 cm.
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Contexto
Hérnias umbilicais pequenas e assintomáticas em adultos podem ser acompanhadas em casos selecionados, enquanto sintomas, crescimento, encarceramento ou outros fatores de risco favorecem correção eletiva. Em pacientes com cirrose e ascite, o risco operatório aumenta quando a ascite está descompensada, mas isso não transforma a hérnia em contraindicação absoluta à correção. O ideal é controlar ascite e função hepática e planejar reparo eletivo quando possível, porque a conduta exclusivamente expectante também pode culminar em ruptura, encarceramento e cirurgia de emergência de maior risco.
Há uma divergência importante entre a referência histórica desta prova e a recomendação contemporânea sobre tela. As diretrizes conjuntas da European Hernia Society e Americas Hernia Society de 2020 recomendam tela para reduzir recorrência na maioria dos reparos umbilicais e consideram sutura isolada principalmente em defeitos menores que 1 cm. Portanto, o corte de 3 cm da alternativa D é hoje excessivamente permissivo. O gabarito oficial C é mantido, mas essa atualização precisa ser conhecida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Como alternativa de resposta, não é o gabarito. Estrangulamento é complicação possível, porém não constitui a evolução habitual da maioria das hérnias umbilicais.
B) Incorreta. Como alternativa de resposta, não é o gabarito. Observação pode ser aceita em hérnias pequenas, assintomáticas e de baixo risco, desde que o paciente seja orientado sobre sinais de complicação.
C) Correta (gabarito). A afirmação é a incorreta pretendida pela prova: cirrose com ascite descompensada exige otimização e individualização, mas não constitui proibição absoluta de reparo baseada em risco de peritonite. Quando a ascite é controlada, o reparo eletivo pode ser preferível à espera de uma complicação.
D) Incorreta. Não corresponde ao gabarito oficial, mas há divergência com a prática atual. A referência da prova admitia dispensar tela em defeitos menores que 3 cm; a diretriz EHS/AHS 2020 recomenda tela para a maioria dos defeitos e reserva sutura isolada principalmente para defeitos menores que 1 cm.