Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 8
UFCSPA · 2024

Acerca do choque hemorrágico, considere as seguintes afirmativas:

I. No choque hemorrágico classe I, a perda sanguínea é inferior a 15%, não ocasionando repercussões significativas na frequência cardíaca e na pressão sanguínea.

II. No choque hemorrágico classe II, a perda sanguínea aproximada é entre 15 e 30%, sendo possível a transfusão de hemoderivados. Entretanto, no choque classe III, a transfusão de hemoderivados é formalmente indicada, seguindo o protocolo de transfusão maciça.

III. Os choques hemorrágicos das classes I e II não costumam causar repercussões no escore da Escala de Coma de Glasgow; entretanto, os choques das classes III e IV causam diminuição no referido escore.

Está(ão) CORRETA(S):
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O choque hemorrágico é uma forma de choque hipovolêmico em que a perda de sangue reduz pré-carga, débito cardíaco e oferta de oxigênio aos tecidos. A classificação tradicional do ATLS organiza o quadro em quatro classes conforme estimativa de perda volêmica e repercussão fisiológica. Ela é uma ferramenta didática, não substitui a avaliação dinâmica do paciente nem deve ser usada isoladamente para decidir protocolo de transfusão maciça.

Na classe I, a compensação simpática costuma preservar pressão arterial e frequência cardíaca próxima do basal. Na classe II surge taquicardia e redução da pressão de pulso, mas a pressão sistólica pode permanecer normal. Nas classes III e IV há maior hipoperfusão cerebral, podendo ocorrer redução do nível de consciência e do escore de Glasgow.

O erro da afirmativa II está em transformar a classe III em indicação automática de protocolo de transfusão maciça. Classe III frequentemente requer hemocomponentes, mas a ativação de protocolo maciço depende de hemorragia ativa importante, instabilidade, resposta à ressuscitação, mecanismo, necessidade prevista de grande volume de sangue e critérios institucionais. Protocolos de transfusão maciça existem para acelerar hemostasia e reposição balanceada em hemorragia com risco de exsanguinação, não para todo paciente que caiba didaticamente na classe III.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A afirmativa I está correta, mas III também está; portanto, não é apenas I.

B) Incorreta. A afirmativa II é justamente a falsa. Hemocomponentes podem ser necessários na classe II e são frequentemente necessários na III, porém transfusão maciça não é formalmente obrigatória em todo choque classe III.

C) Correta (gabarito). I e III estão corretas: classe I representa perda inferior a 15% com poucas repercussões, e as classes III e IV podem produzir comprometimento neurológico por hipoperfusão.

D) Incorreta. Não são todas verdadeiras, pois a afirmativa II vincula indevidamente classe III a protocolo de transfusão maciça obrigatório.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é: classe III costuma precisar de sangue, mas não significa automaticamente transfusão maciça.

  • Classe I: menos de 15%; classe II: 15 a 30%; classe III: 30 a 40%; classe IV: mais de 40%.

  • Hipotensão é sinal tardio; classe II pode ter taquicardia e pressão de pulso estreita com pressão sistólica ainda normal.

  • Quanto maior a classe, maior a chance de alteração do estado mental por hipoperfusão.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →