Acerca do choque hemorrágico, considere as seguintes afirmativas:
I. No choque hemorrágico classe I, a perda sanguínea é inferior a 15%, não ocasionando repercussões significativas na frequência cardíaca e na pressão sanguínea.
II. No choque hemorrágico classe II, a perda sanguínea aproximada é entre 15 e 30%, sendo possível a transfusão de hemoderivados. Entretanto, no choque classe III, a transfusão de hemoderivados é formalmente indicada, seguindo o protocolo de transfusão maciça.
III. Os choques hemorrágicos das classes I e II não costumam causar repercussões no escore da Escala de Coma de Glasgow; entretanto, os choques das classes III e IV causam diminuição no referido escore.
A pegadinha central é: classe III costuma precisar de sangue, mas não significa automaticamente transfusão maciça.
Classe I: menos de 15%; classe II: 15 a 30%; classe III: 30 a 40%; classe IV: mais de 40%.
Hipotensão é sinal tardio; classe II pode ter taquicardia e pressão de pulso estreita com pressão sistólica ainda normal.
Quanto maior a classe, maior a chance de alteração do estado mental por hipoperfusão.
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Contexto
O choque hemorrágico é uma forma de choque hipovolêmico em que a perda de sangue reduz pré-carga, débito cardíaco e oferta de oxigênio aos tecidos. A classificação tradicional do ATLS organiza o quadro em quatro classes conforme estimativa de perda volêmica e repercussão fisiológica. Ela é uma ferramenta didática, não substitui a avaliação dinâmica do paciente nem deve ser usada isoladamente para decidir protocolo de transfusão maciça.
Na classe I, a compensação simpática costuma preservar pressão arterial e frequência cardíaca próxima do basal. Na classe II surge taquicardia e redução da pressão de pulso, mas a pressão sistólica pode permanecer normal. Nas classes III e IV há maior hipoperfusão cerebral, podendo ocorrer redução do nível de consciência e do escore de Glasgow.
O erro da afirmativa II está em transformar a classe III em indicação automática de protocolo de transfusão maciça. Classe III frequentemente requer hemocomponentes, mas a ativação de protocolo maciço depende de hemorragia ativa importante, instabilidade, resposta à ressuscitação, mecanismo, necessidade prevista de grande volume de sangue e critérios institucionais. Protocolos de transfusão maciça existem para acelerar hemostasia e reposição balanceada em hemorragia com risco de exsanguinação, não para todo paciente que caiba didaticamente na classe III.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A afirmativa I está correta, mas III também está; portanto, não é apenas I.
B) Incorreta. A afirmativa II é justamente a falsa. Hemocomponentes podem ser necessários na classe II e são frequentemente necessários na III, porém transfusão maciça não é formalmente obrigatória em todo choque classe III.
C) Correta (gabarito). I e III estão corretas: classe I representa perda inferior a 15% com poucas repercussões, e as classes III e IV podem produzir comprometimento neurológico por hipoperfusão.
D) Incorreta. Não são todas verdadeiras, pois a afirmativa II vincula indevidamente classe III a protocolo de transfusão maciça obrigatório.