Com relação às hipofisites, analise as seguintes afirmativas:
I. Diabetes insipidus é raramente relatada nos pacientes, e a maioria apresenta hiperprolactinemia leve associada.
II. A cirurgia pode ser indicada quando a biópsia é necessária para o diagnóstico, quando a história não está clara ou se houver um efeito de massa.
III. Uma ressonância magnética não pode diferenciar com segurança a hipofisite de um adenoma hipofisário, mas a hipofisite geralmente causa aumento difuso da hipófise, tamanho selar normal e espessamento da haste.
A pegadinha central é: diabetes insipidus favorece hipofisite ou outra lesão da haste mais do que adenoma hipofisário comum.
RM sugestiva: aumento difuso simétrico, haste espessada e realce homogêneo.
Hiperprolactinemia leve pode ser apenas efeito de haste, não prolactinoma.
Cirurgia é seletiva: biópsia quando há dúvida relevante ou descompressão por efeito de massa.
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Contexto
Hipofisite é inflamação da hipófise e, com frequência, da haste hipofisária. Pode ser primária, como a forma linfocítica, granulomatosa ou relacionada à IgG4, ou secundária a doenças sistêmicas e fármacos, especialmente inibidores de checkpoint imune. O quadro combina cefaleia, sintomas visuais por efeito de massa e déficits hormonais. A deficiência de ACTH merece prioridade porque insuficiência adrenal central pode ser potencialmente grave.
A afirmativa I erra no ponto mais característico da diferenciação com adenoma: diabetes insipidus central não é raro na hipofisite. O comprometimento inflamatório da haste e da neuro-hipófise explica poliúria e polidipsia, com frequências relevantes nas séries clínicas, especialmente nas formas infundíbulo-neuro-hipofisárias. Hiperprolactinemia leve pode ocorrer por efeito de haste, pois a interrupção da dopamina hipotalâmica reduz a inibição fisiológica da secreção de prolactina.
Na ressonância, achados que favorecem hipofisite incluem aumento difuso e relativamente simétrico da glândula, realce homogêneo, espessamento da haste e sela sem expansão proporcional ao volume da lesão. Esses sinais aumentam a probabilidade diagnóstica, mas não distinguem com segurança absoluta hipofisite de adenoma ou de outras lesões infiltrativas.
A cirurgia não é tratamento obrigatório. É reservada principalmente para descompressão quando há efeito de massa importante ou para obtenção de tecido quando a hipótese permanece incerta e o diagnóstico histológico mudará a conduta. Em casos típicos, reposição hormonal e tratamento anti-inflamatório ou imunossupressor conforme a etiologia podem evitar cirurgia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A afirmativa III é verdadeira, mas I é falsa porque diabetes insipidus central ocorre com frequência clinicamente relevante na hipofisite; o componente de hiperprolactinemia leve por efeito de haste pode estar correto, mas não salva a assertiva.
B) Correta (gabarito). II e III estão corretas. Cirurgia pode ser necessária para biópsia ou descompressão, e a ressonância sugere hipofisite por aumento difuso e espessamento da haste, sem permitir diferenciação absoluta de adenoma.
C) Incorreta. Inclui a afirmativa I, que classifica equivocadamente o diabetes insipidus como raro, e ainda exclui III, que descreve um padrão radiológico clássico da hipofisite.
D) Incorreta. Nem todas são verdadeiras, pois a afirmativa I contém o erro decisivo.