Com relação ao atendimento do paciente com Síndrome Hiperosmolar Hiperglicêmica (SHH), atribua C para correta e E para errada. Após, assinale a alternativa com a sequência CORRETA:
( ) Os pacientes com SHH tendem a ter uma contração de volume mais dramática e, por definição, a acidose não é presente ou é de grau mínimo.
( ) É importante ressuscitar o paciente com volume adequado antes da administração de insulina, porque os deslocamentos do fluido intracelular que ocorrem quando os níveis de glicose são reduzidos, podem piorar a perfusão tissular sistêmica.
( ) Após a resolução do episódio de SHH, a maioria dos pacientes podem ser tratados apenas com agentes orais e a sua ocorrência não está associada a um grau significativo de deficiência insulínica.
( ) Como o estado mental alterado (e, em alguns casos, coma) é uma característica frequente da SHH, deve-se prestar atenção ao estado respiratório, à proteção adequada das vias aéreas e buscar por doenças precipitantes subjacentes.
A pegadinha central é correr para a insulina. Na SHH, primeiro restaure volume e perfusão.
A glicemia pode cair 50 a 70 mg/dL por hora apenas com fluidos.
Alteração neurológica acompanha hiperosmolalidade e exige proteção de via aérea quando necessária.
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Contexto
A Síndrome Hiperosmolar Hiperglicêmica é marcada por hiperglicemia extrema, hiperosmolalidade e desidratação intensa, com cetose e acidose ausentes ou discretas. O Consenso Internacional sobre Crises Hiperglicêmicas de 2024 utiliza, entre os critérios, glicose igual ou maior que 600 mg/dL, osmolalidade efetiva maior que 300 mOsm/kg ou osmolalidade total maior que 320 mOsm/kg, cetonemia pequena e ausência de acidose metabólica importante.
A reposição de volume é a prioridade inicial. Fluidos restauram perfusão renal e sistêmica, reduzem glicemia por aumento da excreção urinária e diminuem hormônios contrarreguladores. Na SHH, a queda muito rápida da osmolalidade deve ser evitada, portanto a insulinoterapia deve ser iniciada após o início de ressuscitação volêmica e com monitorização cuidadosa.
A doença decorre de deficiência relativa de insulina, suficiente para limitar cetogênese intensa em muitos casos, mas insuficiente para controlar hiperglicemia. Após resolução, o regime antidiabético deve ser individualizado; não se pode presumir que a maioria ficará apenas com agentes orais. Alteração do estado mental é frequente e exige atenção à via aérea e investigação de precipitantes como infecção, infarto, AVC e omissão de tratamento.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A sequência é C, C, E, C. Desidratação é intensa; reposição volêmica precede insulina; a terceira assertiva é falsa por minimizar a deficiência insulínica e generalizar o tratamento pós-crise; a quarta está correta.
B) Incorreta. A primeira assertiva é correta: SHH costuma produzir depleção volêmica profunda e pouca acidose.
C) Incorreta. A segunda assertiva é correta e a terceira é falsa, portanto essa sequência não corresponde ao caso.
D) Incorreta. Primeira, segunda e quarta assertivas são corretas.