Rastreamentos no adulto

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Questão 28
UFCSPA · 2024

O entendimento do desempenho dos testes de rastreamento é essencial para uma prática clínica baseada em evidências. Analise as seguintes afirmativas:

I. Os testes com valores preditivos positivos baixos, que são o resultado da baixa prevalência da doença, provavelmente levarão a uma alta frequência de falso- positivo.

II. O sobrediagnóstico é um exemplo de viés de duração.

III. Um bom teste de rastreamento deve ter uma alta especificidade, para que não deixe passar os poucos casos de doença presentes.

Estão CORRETAS:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Desempenho de rastreamento exige separar propriedades intrínsecas do teste de medidas dependentes da população. Sensibilidade é a probabilidade de teste positivo entre doentes; especificidade é a probabilidade de teste negativo entre não doentes. Já os valores preditivos dependem fortemente da prevalência.

Em uma população de baixa prevalência, mesmo um teste com boa especificidade pode produzir mais falsos positivos do que verdadeiros positivos em números absolutos. Tecnicamente, a taxa de falso-positivo entre não doentes é 1 menos especificidade e não aumenta apenas porque a prevalência caiu; o que aumenta é a proporção de resultados positivos que são falsos, refletida pelo baixo valor preditivo positivo. É esse fenômeno que a afirmativa I pretende cobrar.

O viés de duração, ou length-time bias, ocorre porque rastreamento detecta preferencialmente doenças com fase pré-clínica longa e crescimento mais lento. Tumores indolentes ficam mais tempo disponíveis para serem encontrados, o que contribui para sobrediagnóstico, isto é, diagnóstico de doença que não produziria sintomas ou morte durante a vida da pessoa.

Para não deixar passar casos, a característica desejada é alta sensibilidade. Alta especificidade reduz falsos positivos e é especialmente útil na confirmação diagnóstica, mas não é a propriedade descrita pela afirmativa III.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). I e II estão corretas na lógica do rastreamento. Baixa prevalência reduz o valor preditivo positivo e faz crescer a proporção de positivos que são falsos; viés de duração favorece detecção de doença indolente e contribui para sobrediagnóstico.

B) Incorreta. I é verdadeira, mas III troca sensibilidade por especificidade. Para minimizar casos perdidos, o rastreamento deve ter alta sensibilidade.

C) Incorreta. II é verdadeira, mas III é falsa e a alternativa ainda exclui I.

D) Incorreta. A afirmativa III impede que todas sejam verdadeiras.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é clássica: sensibilidade alta evita falso-negativo; especificidade alta evita falso-positivo.

  • Quanto menor a prevalência, menor tende a ser o valor preditivo positivo.

  • Viés de duração favorece doença lenta e ajuda a explicar sobrediagnóstico em programas de rastreamento.

  • Precisão conceitual: baixa prevalência não muda diretamente 1 menos especificidade; ela muda a composição dos resultados positivos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Rastreamentos no adulto” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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