Avaliação de risco e cuidados perioperatórios

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Questão 12
UFCSPA · 2024

Em relação à antibioticoprofilaxia, analise as seguintes afirmativas:

I. Em cirurgias limpas, o antibiótico indicado para profilaxia são as cefalosporinas de primeira geração.

II. Em cirurgias limpo-contaminadas, devemos estender a cobertura antibiótica para Gram-negativos e enterococos, além de Gram-positivos.

III. A profilaxia antibiótica deve ser realizada mandatoriamente em todos os procedimentos cirúrgicos.

Está(ão) CORRETA(S):
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Antibioticoprofilaxia cirúrgica busca reduzir infecção do sítio cirúrgico quando o risco do procedimento justifica a intervenção. O princípio não é usar o antibiótico mais amplo, e sim escolher o agente mais estreito que cubra a flora esperada no campo operatório, administrado em tempo suficiente para haver concentração tecidual adequada no momento da incisão.

As recomendações da OMS para prevenção de infecção de sítio cirúrgico orientam administração antes da incisão quando houver indicação, em geral dentro dos 120 minutos prévios conforme a meia-vida do fármaco. Recomendações de prevenção de infecção hospitalar mais recentes reforçam que a profilaxia não deve ser prolongada após o fechamento da incisão de rotina. Cefazolina é o fármaco de referência em numerosos procedimentos porque cobre bem cocos Gram-positivos da pele, tem boa segurança e farmacocinética adequada.

Em cirurgia limpa, a afirmativa I deve ser lida como: quando há indicação de profilaxia, especialmente em procedimentos com implante ou consequências graves de infecção, cefalosporina de primeira geração é escolha clássica. Muitas cirurgias limpas sem prótese não necessitam antibiótico profilático.

Nas operações limpo-contaminadas há entrada controlada em trato respiratório, gastrointestinal ou geniturinário, e a cobertura deve acompanhar a flora do órgão. Diretrizes de profilaxia cirúrgica descrevem maior participação de bacilos Gram-negativos e enterococos, além da flora cutânea, mas o esquema é procedimento-específico; em cirurgia colorretal, por exemplo, a cobertura de anaeróbios é indispensável.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A afirmativa I é aceita, mas II também está correta na lógica microbiológica da questão; portanto, não é apenas I.

B) Incorreta. A afirmativa III é falsa. Antibioticoprofilaxia não é mandatória em todo procedimento e o uso indiscriminado aumenta eventos adversos, seleção de resistência e risco de infecção por Clostridioides difficile.

C) Correta (gabarito). I e II expressam os princípios cobrados: cefalosporina de primeira geração é opção clássica quando há indicação em cirurgia limpa, e operações limpo-contaminadas exigem cobertura ajustada à flora do órgão, com maior importância de Gram-negativos e enterococos em diversos cenários.

D) Incorreta. Inclui a afirmativa III, que transforma uma estratégia seletiva em obrigação universal.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é confundir cirurgia limpa com profilaxia obrigatória: nem toda cirurgia limpa precisa de antibiótico.

  • Cefazolina é a escolha clássica para flora cutânea quando a profilaxia está indicada.

  • Limpo-contaminada exige pensar na flora do órgão; em trato gastrointestinal distal, lembre também dos anaeróbios.

  • Profilaxia é para estar ativa na incisão, não para ser mantida por dias no pós-operatório.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Avaliação de risco e cuidados perioperatórios” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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