Sobre os transtornos alimentares, analise as seguintes afirmativas:
I. Estima-se que 40 a 60% da vulnerabilidade para transtornos alimentares é genética.
II. Variáveis relacionadas à personalidade, como impulsividade e perfeccionismo, parecem estar ligadas a transtornos alimentares.
III. Provocações relacionadas ao peso por membros da família conferem risco de transtornos alimentares.
IV. Maus-tratos, incluindo bullying, são fatores de risco para o transtorno de compulsão alimentar periódica.
A pegadinha é procurar uma causa única: transtornos alimentares resultam da interação entre predisposição biológica e ambiente.
Perfeccionismo lembra mais fenótipos restritivos; impulsividade e desregulação emocional aparecem com maior força em compulsão e purgação.
Weight teasing, bullying e estigma corporal não são detalhes sociais neutros: são fatores associados ao risco e devem ser investigados.
Herdabilidade é uma medida populacional e não significa determinismo genético individual.
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Contexto
Transtornos alimentares não decorrem de uma causa isolada. O modelo atual é biopsicossocial: vulnerabilidade genética e neurobiológica interage com traços psicológicos, ambiente familiar, experiências adversas, estigma corporal e pressões socioculturais. A American Psychiatric Association Practice Guideline for the Treatment of Patients With Eating Disorders 2023 reforça uma avaliação ampla, que não se limita a peso e comportamento alimentar.
Estudos familiares e com gêmeos demonstram herdabilidade relevante para anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. As estimativas variam conforme o diagnóstico e o desenho do estudo, mas uma contribuição genética na ordem de 40 a 60% é compatível com a literatura utilizada em provas. Isso não significa que 40 a 60% do quadro de um indivíduo seja determinado por genes; herdabilidade é uma medida populacional da variabilidade atribuível a diferenças genéticas.
Traços de personalidade também modulam risco. Perfeccionismo, rigidez e elevada autocobrança aparecem com maior frequência em fenótipos restritivos, enquanto impulsividade e dificuldade de regulação emocional se relacionam mais a episódios de compulsão e comportamentos compensatórios. No eixo ambiental, provocações sobre peso e aparência, inclusive dentro da família, bullying e outras formas de maus-tratos se associam a maior risco de sintomas alimentares e de transtorno de compulsão alimentar.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. I e III são verdadeiras, mas II e IV também são. A alternativa erra por excluir fatores psicológicos e experiências adversas bem reconhecidos.
B) Incorreta. II e IV são verdadeiras, porém não esgotam os fatores de vulnerabilidade: a contribuição genética e a provocação relacionada ao peso descritas em I e III também são válidas.
C) Incorreta. I, II e III estão corretas, mas a afirmativa IV também está. Bullying e outros maus-tratos apresentam associação particularmente consistente com sintomas bulímicos e de compulsão alimentar.
D) Correta (gabarito). As quatro afirmativas descrevem componentes reconhecidos da vulnerabilidade aos transtornos alimentares: genética, traços de personalidade, experiências familiares relacionadas ao peso e experiências adversas como bullying.