Paciente tabagista de 60 anos-maço chega para consulta e você identifica uma síndrome de veia cava superior (SVCS).
A pegadinha central é confundir gravidade dos sintomas com prognóstico oncológico. Quem determina a sobrevida é principalmente a causa da SVCS.
Edema laríngeo, comprometimento de via aérea ou cerebral exige desobstrução urgente.
Atualização contemporânea: stent endovascular oferece alívio rápido e ganhou papel de primeira linha na SVCS sintomática.
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Contexto
A síndrome da veia cava superior decorre da obstrução do retorno venoso da cabeça, pescoço e membros superiores. Em pacientes tabagistas, a principal preocupação é neoplasia torácica, especialmente câncer de pulmão. As manifestações incluem edema facial e cervical, circulação venosa colateral, dispneia, sensação de plenitude cefálica e piora ao deitar.
O prognóstico é determinado principalmente pela doença de base, e não pela obstrução venosa isoladamente. Medidas como elevação da cabeceira e oxigênio podem aliviar sintomas; diuréticos têm benefício limitado e devem ser individualizados. Corticoide tem papel mais claro em tumores responsivos, especialmente linfoma, ou em situações com edema importante.
Há atualização relevante em relação à alternativa D. Revisões de 2024 a 2026 mostram que stent endovascular passou a ser estratégia de primeira linha para alívio rápido de SVCS sintomática em muitos pacientes, sobretudo quando os sintomas são importantes, enquanto radioterapia e quimioterapia são direcionadas posteriormente à histologia tumoral. Portanto, a afirmação de radioterapia como tratamento primário universal para tumores sólidos reflete prática mais antiga e hoje deve ser contextualizada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Como resposta ao comando que pede a alternativa incorreta, não é o gabarito. Medidas de suporte podem oferecer alívio temporário, embora diuréticos não tratem a obstrução mecânica.
B) Incorreta. Como opção de resposta, não é a afirmação falsa principal. Glicocorticoides têm utilidade mais limitada e papel mais consistente em linfomas e tumores sensíveis.
C) Correta (gabarito). Esta é a afirmação incorreta. A mortalidade depende predominantemente da etiologia, extensão e resposta ao tratamento da doença subjacente, geralmente neoplásica, e não da obstrução da cava por si só.
D) Incorreta. Mantendo o gabarito histórico, esta não é a alternativa escolhida. Ressalva atual: radioterapia deixou de ser tratamento primário automático para toda SVCS por tumor sólido; stent endovascular é hoje frequentemente utilizado para alívio imediato, seguido de terapia oncológica específica.