A pegadinha central é confundir pré-operatório com check-list laboratorial. Exame só vale se puder mudar conduta.
Cirurgia de baixo risco e paciente assintomático geralmente dispensam testes cardiovasculares rotineiros.
Betabloqueador crônico continua; nova indicação deve ser tratada com antecedência, não iniciada de rotina no dia da cirurgia.
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Contexto
A avaliação pré-operatória deve responder a perguntas clínicas que possam modificar manejo, e não funcionar como uma bateria automática de exames. A Diretriz AHA/ACC de 2024 para cirurgia não cardíaca reforça abordagem escalonada conforme risco do paciente e do procedimento. Em pessoas assintomáticas submetidas a cirurgia de baixo risco, exames cardiovasculares rotineiros geralmente não melhoram desfechos.
Testes de rastreamento indiscriminados em indivíduos saudáveis geram poucos achados acionáveis e podem produzir falsos positivos, atrasos e investigação desnecessária. Exames prévios podem ser aproveitados se ainda forem clinicamente válidos, mas qualquer mudança em sintomas, condição clínica ou medicamentos pode justificar repetição.
Betabloqueadores em uso crônico devem ser mantidos quando possível. Quando surge nova indicação, a recomendação de 2024 é iniciá-los com antecedência suficiente, idealmente mais de 7 dias antes, para avaliar tolerância. Iniciar betabloqueador no dia da cirurgia sem indicação imediata pode aumentar hipotensão, AVC e mortalidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Alterações encontradas em rastreamento indiscriminado de pessoas saudáveis frequentemente não mudam o manejo e podem gerar cascatas diagnósticas de baixo valor.
B) Correta (gabarito). A maioria dos pacientes saudáveis submetidos a procedimento de baixo risco com anestesia local não necessita de exames pré-operatórios de rotina, salvo indicação específica pela história ou exame físico.
C) Incorreta. Um resultado normal recente não deve ser reutilizado cegamente se houve mudança clínica, nova medicação ou alteração relevante do risco.
D) Incorreta. Betabloqueadores podem reduzir alguns eventos isquêmicos, mas seu início perioperatório indiscriminado pode aumentar AVC, hipotensão e mortalidade. Devem ser usados apenas quando há indicação clínica e com tempo para titulação.