Doenças da tireoide

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Questão 17
UFCSPA · 2025

Paciente feminina de 35 anos chega ao pronto atendimento referindo dor de garganta irradiada para mandíbula, tremores nas mãos, palpitações, perda de 3Kg em 1 semana, hiperevacuação, insônia e agitação. Relata ter tido episódio de infecção viral 10 dias antes. Ao exame físico tem febrícula, pele quente e sudorética, aumento difuso da tireoide com dor intensa à palpação. Nos exames apresenta TSH <0,001 (0,3-4,5mUI/mL); T4 livre 2,9 (0,89-1,78mcg/dL); T3 280 (80-200mg/dL); velocidade de hemossedimentação elevada, leucograma normal e captação de iodo na cintilografia de 0,2%.

Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e qual é o tratamento mais adequado para essa paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é clássico de tireoidite subaguda granulomatosa, também chamada tireoidite de de Quervain. A combinação de dor intensa em tireoide após síndrome viral, VHS elevada, tireotoxicose e captação de iodo muito baixa discrimina essa entidade de doença de Graves e de hipertireoidismo por síntese aumentada.

A tireotoxicose decorre de destruição dos folículos e liberação para a circulação de T4 e T3 previamente armazenados. A glândula não está fabricando hormônio em excesso; por isso a captação de iodo fica suprimida, aqui em apenas 0,2%, e as tionamidas não têm benefício.

As recomendações da American Thyroid Association para tireotoxicose orientam anti-inflamatório não esteroidal e betabloqueador nos casos leves a moderados e sintomáticos. Se a dor for intensa desde o início ou não responder adequadamente ao AINE, corticosteroide pode ser utilizado. Betabloqueador controla tremor, palpitação e taquicardia durante a fase tireotóxica.

O curso costuma ser autolimitado: fase tireotóxica pode ser seguida por hipotireoidismo transitório e posterior recuperação. Uma minoria evolui com hipotireoidismo permanente.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Tireoidite bacteriana aguda costuma apresentar febre alta, toxicidade, leucocitose e sinais infecciosos mais intensos. Antibiótico não é indicado no padrão pós-viral destrutivo descrito.

B) Incorreta. Abscesso tireoidiano implica infecção supurativa focal, geralmente com febre, leucocitose e coleção à imagem, podendo exigir drenagem. Esses elementos não aparecem no caso.

C) Correta (gabarito). Dor pós-viral, VHS elevada, tireotoxicose e captação praticamente ausente definem tireoidite subaguda. O tratamento inicial é anti-inflamatório para a dor e betabloqueador para os sintomas adrenérgicos.

D) Incorreta. Tireoidite autoimune crônica costuma ser indolor. Além disso, droga antitireoidiana não funciona na tireotoxicose destrutiva porque não há aumento da síntese hormonal.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: tireotoxicose com captação baixa significa liberação de hormônio armazenado, não produção aumentada.

  • Tireoide dolorosa pós-viral mais VHS alta é de Quervain até prova em contrário.

  • Use AINE e betabloqueador; corticoide entra se dor for importante ou refratária.

  • Tionamida não trata tireoidite destrutiva.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças da tireoide” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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