Pegadinha central: colo curto é marcador do segundo trimestre; 25 mm é o corte clássico de prova.
SMFM 2024: até 20 mm, progesterona vaginal recomendada; 21 a 25 mm, considerar por decisão compartilhada.
Atualização que pode cair: antecedente de prematuridade sem colo curto não basta, segundo o ACOG atual, para indicar progesterona vaginal.
Cerclagem não é rotina em gemelares.
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Contexto
O principal marcador ultrassonográfico de risco para parto prematuro espontâneo em gestação única assintomática é o comprimento cervical medido por ultrassonografia transvaginal no segundo trimestre. O protocolo FEBRASGO de ultrassonografia morfológica do segundo trimestre utiliza colo menor que 25 mm como ponto para orientação de progesterona vaginal. Esse é o referencial que sustenta o gabarito da questão.
As recomendações internacionais atuais refinam esse corte. O SMFM Consult Series 70 de 2024 define colo curto como até 25 mm em gestação única sem antecedente de parto prematuro, recomenda progesterona vaginal quando o comprimento é até 20 mm antes de 24 semanas e orienta considerar progesterona entre 21 e 25 mm por decisão compartilhada. Também recomenda contra progesterona, pessário ou cerclagem de rotina em gestações gemelares fora de protocolos de pesquisa.
Outro ponto que mudou e pode aparecer em provas novas é o antecedente de parto prematuro. O ACOG atualizou sua orientação em 2023 após a retirada do 17-OHPC: história de parto prematuro espontâneo, isoladamente, sem colo curto, não é motivo suficiente para oferecer progesterona vaginal. Assim, a afirmativa B reflete uma formulação que pode parecer correta à luz da atualização norte-americana, mas a questão foi construída segundo o paradigma anterior em que o antecedente era utilizado como indicação preventiva. O gabarito A deve ser mantido.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A banca utiliza o corte de 25 mm como marcador de colo curto associado à indicação de progesterona. Em diretrizes atuais, a indicação é refinada: o benefício é mais sólido em comprimentos até 20 mm, e entre 21 e 25 mm a decisão pode ser individualizada.
B) Incorreta. No referencial da prova, história de prematuridade espontânea prévia é um fator de alto risco que participa da decisão preventiva, portanto a frase categórica “não é indicação” foi considerada errada. Atualização importante: o ACOG 2023 passou a não recomendar progesterona vaginal apenas pelo antecedente quando o colo não está encurtado.
C) Incorreta. Cerclagem não deve ser considerada sistematicamente em toda gestação gemelar. Intervenções em gemelares exigem indicação muito mais seletiva, e o SMFM 2024 recomenda contra o uso rotineiro de cerclagem, progesterona ou pessário apenas por encurtamento cervical fora de pesquisa.
D) Incorreta. A cervicometria usada para predizer parto prematuro é realizada no segundo trimestre por via transvaginal. Medida antes de 10 semanas não é a estratégia validada para esse objetivo.