A osteoporose é caracterizada por baixa massa óssea e uma deterioração microarquitetural do tecido ósseo, levando ao aumento da fragilidade óssea e a um consequente aumento no risco de fraturas, mesmo com pouco ou nenhum trauma.
Pegadinha central: menarca tardia não protege os ossos; menos estrogênio na adolescência significa menor oportunidade de formar pico de massa óssea.
Amenorreia na adolescente deve acender alerta para saúde óssea, sobretudo quando há baixa disponibilidade energética.
Cálcio deve ser adequado à necessidade; suplementação é mais útil quando a ingestão dietética é insuficiente e não substitui exercício, vitamina D e correção da causa do hipoestrogenismo.
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Contexto
O risco de osteoporose na vida adulta começa a ser determinado décadas antes da menopausa. Grande parte do pico de massa óssea é adquirida na infância e adolescência, com aproximadamente 90% do pico já acumulado ao final da adolescência. Estrogênio, disponibilidade energética, atividade física com impacto, cálcio, vitamina D e fatores genéticos participam dessa aquisição.
A puberdade normal acelera a deposição mineral óssea. Por isso, menarca tardia e amenorreia prolongada durante a adolescência reduzem exposição estrogênica em uma janela crítica de formação óssea e se associam a menor densidade mineral e maior risco de fragilidade. O ACOG reconhece a relação entre disfunção menstrual, hipoestrogenismo e baixa massa óssea, especialmente no contexto da tríade da atleta.
A Bone Health and Osteoporosis Foundation, em seu Clinician's Guide de 2022, reforça que otimizar ingestão de cálcio, vitamina D, exercício e outros fatores modificáveis é parte da prevenção ao longo da vida. Estudos em meninas pré-púberes e púberes mostram que aumentar cálcio quando a ingestão é baixa pode melhorar temporariamente o acúmulo mineral. O benefício persistente após interromper suplementação é variável entre estudos, portanto não se deve transformar isso em indicação universal de suplemento para toda adolescente que já ingere cálcio adequadamente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Esta é a alternativa incorreta solicitada. A menarca tardia não produz ossos mais densos nem proteção contra fraturas. Ela reduz o tempo de exposição estrogênica durante uma fase decisiva de aquisição óssea e se associa a menor pico de massa óssea.
B) Incorreta. A afirmação é verdadeira. Amenorreia na adolescência, especialmente quando ligada a baixa disponibilidade energética ou hipoestrogenismo, compromete aquisição óssea e aumenta a prevalência de baixa massa óssea e risco futuro de osteoporose.
C) Incorreta. A afirmação traduz o princípio de que cálcio adequado durante crescimento favorece mineralização. Ensaios demonstraram maior ganho ósseo com suplementação em meninas de baixa ingestão, embora a persistência do benefício após a suspensão não seja uniforme e suplemento não seja necessário para todas.
D) Incorreta. A afirmação é compatível com a história natural: após atingir o pico de massa óssea pode ocorrer perda lenta ainda antes da menopausa, mas a queda se acelera marcadamente com a deficiência estrogênica da transição menopausal.