Paciente com histórico de DRGE (doença do refluxo gastroesofágico), anêmico, submetido à endoscopia digestiva alta. Endoscopista descreveu a presença de úlcera de Cameron,
Pegadinha: Cameron é lesão gástrica, embora esteja relacionada à hérnia hiatal e próxima ao esôfago.
Hérnia hiatal grande + anemia ferropriva sem fonte evidente deve lembrar lesão de Cameron.
São lesões lineares na impressão diafragmática e podem ser perdidas na primeira endoscopia.
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Contexto
Lesões de Cameron são erosões ou úlceras lineares da mucosa gástrica localizadas na impressão diafragmática de uma hérnia hiatal, em especial quando a hérnia é grande. A região sofre trauma mecânico repetitivo durante o movimento respiratório e o deslizamento do estômago pelo hiato; isquemia local e agressão ácida também podem contribuir.
O quadro clássico é perda sanguínea gastrointestinal oculta ou recorrente, com anemia ferropriva. A lesão pode ser pequena, cicatrizar transitoriamente e voltar a sangrar, razão pela qual às vezes é perdida em uma endoscopia inicial. A inspeção cuidadosa do colo da hérnia e das pregas gástricas na impressão diafragmática é essencial.
O tratamento costuma combinar reposição de ferro e supressão ácida. Hemostasia endoscópica é indicada se houver sangramento ativo relevante, e correção cirúrgica da hérnia pode ser considerada quando há sangramento ou anemia refratários ou outra indicação própria para reparo da hérnia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cameron não é uma úlcera típica do esôfago proximal. A lesão está na mucosa gástrica submetida ao pinçamento no hiato diafragmático.
B) Incorreta. Apesar da proximidade anatômica com a junção gastroesofágica, a lesão de Cameron é gástrica, não uma úlcera do esôfago distal.
C) Correta (gabarito). A definição anatômica é exatamente essa: erosão ou úlcera linear na mucosa do segmento gástrico envolvido pela hérnia hiatal, junto à impressão do diafragma.
D) Incorreta. Vaso visível e sangramento ativo são estigmas endoscópicos possíveis de várias lesões hemorrágicas e não definem Cameron. O diagnóstico depende da morfologia e, sobretudo, da localização em associação com a hérnia hiatal.