Quanto ao esôfago de Barret, como complicação da DRGE (doença do refluxo gastroesofágico), analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA.
I. Os pacientes com tal condição têm cerca de quarenta vezes mais chances de apresentar adenocarcinoma, em comparação com a população normal.
II. Quando detectado com imagem característica na endoscopia digestiva alta, não é necessário biopsiar para comprovação do diagnóstico.
III. Após a cirurgia para correção do refluxo, não é mais necessário o acompanhamento com endoscopia, devido aos excelentes resultados obtidos com esta terapia.
Pegadinha central: Barrett é diagnóstico endoscópico-histológico; aparência típica sem biópsia não fecha o diagnóstico.
Cirurgia antirrefluxo não é prevenção oncológica suficiente e não encerra vigilância.
Em provas atuais, espere maior foco em comprimento do segmento, displasia e protocolo estruturado de biópsias do que em um risco relativo fixo.
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Contexto
O esôfago de Barrett é consequência de exposição crônica ao refluxo em indivíduos suscetíveis, com substituição do epitélio escamoso por epitélio colunar metaplásico. A AGA Clinical Practice Guideline de 2025 e a diretriz atualizada do ACG mantêm o Barrett como principal precursor identificável do adenocarcinoma esofágico e sustentam vigilância endoscópica em pacientes selecionados.
Nos critérios norte-americanos atuais, o diagnóstico exige segmento de mucosa colunar no esôfago tubular com extensão relevante e confirmação histológica de metaplasia intestinal. Portanto, aparência endoscópica sugestiva sozinha não basta. Na vigilância, utiliza-se exame de alta qualidade com protocolo estruturado de biópsias.
A afirmativa I reproduz uma estimativa clássica de risco relativo, de aproximadamente 30 a 40 vezes a população sem Barrett. Diretrizes atuais preferem comunicar também o risco absoluto, que é muito menor do que a expressão “40 vezes” pode sugerir e varia conforme comprimento do segmento, sexo, idade e presença de displasia. Mesmo assim, o aumento de risco é real e sustenta o gabarito da questão.
A AGA 2025 recomenda terapia com inibidor de bomba de prótons em vez de cirurgia antirrefluxo como estratégia para prevenção de progressão neoplásica. A cirurgia pode ser indicada para controle do refluxo, mas não apaga o diagnóstico de Barrett nem o risco residual de câncer.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Apenas a afirmativa I é aceita. O Barrett aumenta substancialmente o risco de adenocarcinoma em relação à população geral. O valor fixo de cerca de 40 vezes é uma estimativa clássica, enquanto diretrizes atuais enfatizam também o risco absoluto e a estratificação individual.
B) Incorreta. A afirmativa II é falsa. Aparência endoscópica compatível deve ser acompanhada de biópsias para confirmação histológica, porque o diagnóstico e a estratificação dependem da presença de metaplasia intestinal e eventual displasia.
C) Incorreta. A afirmativa III é falsa. Cirurgia antirrefluxo pode controlar sintomas e refluxo, mas não elimina o epitélio metaplásico nem zera o risco de adenocarcinoma. A vigilância continua de acordo com a histologia e o perfil do paciente.
D) Incorreta. II e III estão erradas. A endoscopia sugestiva precisa de confirmação histológica e o seguimento não é dispensado apenas porque o refluxo foi operado.