Com relação ao pneumotórax espontâneo primário, analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA.
I. A causa mais comum é a ruptura de pequenos blebs subpleurais.
II. Pequenos pneumotóraces sem sinais clínicos de progressão e em pacientes com sintomas bem controlados podem ser tratados com observação e oxigenoterapia inalatória.
III. A presença de escape aéreo prolongado pós-drenagem, mesmo no primeiro episódio de pneumotórax, requer tratamento cirúrgico com ressecção pulmonar do foco causador.
IV. A recorrência de pneumotórax em pacientes não tratados com ressecção da bolha ou bleb subpleural no primeiro episódio é frequente.
Pegadinha central: manejo do PSP hoje depende mais de sintomas e estabilidade do que apenas do tamanho do pneumotórax.
ERS/EACTS/ESTS 2024 aceita manejo conservador em pacientes selecionados e estáveis, mesmo com pneumotórax grande.
Escape aéreo persistente e recorrência aumentam a indicação de tratamento definitivo, geralmente com avaliação cirúrgica.
Oxigênio é indicado para hipoxemia; não precisa ser administrado rotineiramente a todo paciente normoxêmico.
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Contexto
O pneumotórax espontâneo primário ocorre sem doença pulmonar clínica conhecida, classicamente em indivíduos jovens e longilíneos. A explicação tradicional é a ruptura de blebs ou pequenas bolhas subpleurais, embora a fisiopatologia moderna reconheça alterações difusas da pleura e maior complexidade do que a simples presença de um bleb isolado.
A diretriz conjunta ERS/EACTS/ESTS de 2024 modificou um ponto importante: pacientes com pneumotórax espontâneo primário minimamente sintomáticos, clinicamente e radiologicamente estáveis, podem ser tratados conservadoramente independentemente do tamanho, desde que haja observação inicial e seguimento seguro. Oxigênio suplementar deve ser usado quando há hipoxemia; não é obrigatório em todo paciente normoxêmico apenas para acelerar reabsorção.
A questão segue o ensino cirúrgico tradicional segundo o qual escape aéreo prolongado após drenagem, mesmo no primeiro episódio, indica tratamento definitivo e a recorrência é frequente sem procedimento preventivo. Hoje, a decisão é mais individualizada: a diretriz ERS/EACTS/ESTS 2024 reconhece incerteza em parte do manejo do escape persistente e permite estratégias não cirúrgicas quando cirurgia não é apropriada. O gabarito D deve ser mantido.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. I e III são aceitas pela banca, mas II e IV também. Além disso, observação de pacientes estáveis tornou-se ainda mais respaldada por diretrizes atuais.
B) Incorreta. II e IV são verdadeiras no referencial da questão, mas I e III também foram consideradas corretas. A ruptura de blebs subpleurais permanece a explicação clássica do PSP.
C) Incorreta. II, III e IV são aceitas, mas I também está correta na formulação tradicional. A alternativa exclui indevidamente o mecanismo mais clássico.
D) Correta (gabarito). As quatro afirmativas correspondem ao paradigma cobrado: origem em blebs subpleurais, possibilidade de observação em casos estáveis, tratamento definitivo diante de escape prolongado e risco relevante de recorrência sem prevenção. A nuance moderna é que oxigênio não é obrigatório se não houver hipoxemia e a indicação cirúrgica no escape persistente deve ser individualizada.