Quanto às recomendações para a realização de linfadenectomia pélvica e paraórtica nos casos de carcinoma de endométrio, analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA.
I. Tumores endometrioides, independentemente do estádio, pela sua agressividade.
II. Tumores com invasão miometrial <50%, grau histológico 1 ou 2, para prescindir da radioterapia.
III. Para pacientes com tipo histológico seroso, mesmo em estadiamento cirúrgico, estádio 1 (EC1).
Pegadinha: não confunda necessidade de estadiamento linfonodal com obrigação de linfadenectomia sistemática.
Carcinoma seroso é histologia de alto risco e merece estadiamento mesmo quando aparentemente restrito ao útero.
Endometrioide baixo grau com invasão superficial não recebe linfadenectomia apenas para evitar radioterapia.
Atualização de 2025: ESGO, ESTRO e ESP favorecem mapeamento do linfonodo sentinela no câncer de endométrio presumidamente inicial, reduzindo o papel da dissecção sistemática.
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Contexto
O carcinoma de endométrio é atualmente estratificado por estágio anatômico, histologia, invasão miometrial, invasão linfovascular e classificação molecular. Tumores endometrioides de baixo grau e invasão miometrial superficial têm risco linfonodal muito menor do que histologias agressivas, como carcinoma seroso. Por isso, não existe indicação de linfadenectomia sistemática para todo tumor endometrioide independentemente do estágio.
O gabarito desta questão reflete o paradigma de que o carcinoma seroso, mesmo aparentemente restrito ao útero, requer estadiamento linfonodal, enquanto tumores endometrioides grau 1 ou 2 com invasão menor que 50% não justificam linfadenectomia sistemática apenas para evitar radioterapia.
Existe, porém, uma mudança importante em relação à terminologia da questão. As diretrizes ESGO, ESTRO e ESP de 2025 passaram a preferir biópsia do linfonodo sentinela como procedimento de estadiamento linfonodal no câncer de endométrio presumidamente inicial. Em grupos de risco alto ou intermediário-alto, o estadiamento linfonodal continua indicado, mas dissecção pélvica e para-aórtica sistemática não é obrigatória quando o mapeamento sentinela bilateral é bem-sucedido. Se o sentinela não for identificado em um lado, pode ser indicada linfadenectomia pélvica específica daquele lado em pacientes de maior risco. Assim, o conceito moderno é “necessidade de estadiamento linfonodal”, não “linfadenectomia sistemática para todos”.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A afirmativa I é falsa. Tumores endometrioides não são uniformemente agressivos e não exigem linfadenectomia sistemática independentemente do estágio. Grau, invasão miometrial, invasão linfovascular e perfil molecular modificam substancialmente o risco.
B) Incorreta. A afirmativa II é falsa. Tumor endometrioide grau 1 ou 2 com menos de 50% de invasão miometrial corresponde ao grupo clássico de menor risco e não recebe linfadenectomia sistemática simplesmente para dispensar radioterapia.
C) Correta (gabarito). No paradigma cobrado pela prova, apenas a afirmativa III está correta porque a histologia serosa exige estadiamento linfonodal mesmo em doença aparentemente estádio I. A atualização importante é que, em 2025, esse estadiamento pode ser realizado preferencialmente por linfonodo sentinela, sem obrigatoriedade de linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática quando o mapeamento é adequado.
D) Incorreta. As afirmativas I e II estão erradas. O fato de a histologia serosa demandar estadiamento não transforma todos os carcinomas endometrioides de baixo risco em candidatos a dissecção nodal ampla.