Pegadinha central: depois da menopausa o ovário reduz muito o estrogênio, mas não “desliga” completamente a produção de androgênios.
Estrona passa a ser o estrogênio predominante; estradiol fica baixo, cerca de 10 a 20 pg/mL.
Androstenediona pós-menopáusica é predominantemente adrenal; testosterona total cai aproximadamente 25%.
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Contexto
A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa de 2024 descreve de forma praticamente idêntica os valores cobrados pela questão. Com o esgotamento folicular, há queda acentuada da produção ovariana de estradiol e elevação do FSH. O ovário pós-menopáusico, entretanto, não se torna endocrinologicamente inerte: ainda produz androgênios em quantidade pequena.
Após a menopausa, a produção total de testosterona diminui aproximadamente 25%. A androstenediona circulante cai para cerca de metade dos níveis pré-menopáusicos e passa a derivar predominantemente da suprarrenal, embora o ovário continue secretando pequena quantidade. O estradiol circulante fica em torno de 10 a 20 pg/mL e deriva principalmente da conversão periférica da estrona; a estrona, por sua vez, é formada sobretudo a partir da androstenediona em tecidos periféricos, especialmente tecido adiposo.
Esse perfil explica por que mulheres após a menopausa ainda apresentam estrogênios mensuráveis e por que adiposidade corporal modifica a exposição estrogênica periférica. A queda de estradiol é muito maior que a queda androgênica, produzindo também uma mudança relativa na relação androgênio-estrogênio.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Reproduz os pontos fisiológicos descritos na diretriz brasileira de 2024: queda aproximada de 25% na produção de testosterona, predominância adrenal da androstenediona e estradiol pós-menopáusico em torno de 10 a 20 pg/mL derivado principalmente de conversão periférica.
B) Incorreta. A testosterona não aumenta 50% após a menopausa, e a maior parte da androstenediona não passa a ser ovariana. O estradiol é baixo, mas continua mensurável e a conversão periférica constitui sua principal origem.
C) Incorreta. A produção de testosterona não permanece invariável e a androstenediona pós-menopáusica é predominantemente adrenal, não ovariana. O trecho sobre estradiol de 10 a 20 pg/mL está correto, mas não salva a alternativa.
D) Incorreta. A produção de testosterona diminui, não aumenta 25%. Também está errada a predominância ovariana da androstenediona e a ideia de que o estradiol seja praticamente indetectável.