Pé diabético e úlceras vasculares

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Questão 94
UFCSPA · 2025
Em relação à doença arterial obstrutiva periférica e ao pé diabético, assinale a alternativa CORRETA.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O Intersocietal IWGDF, ESVS e SVS Guideline de 2023 destaca que aproximadamente 50% das pessoas com diabetes e úlcera no pé apresentam doença arterial periférica associada. A isquemia reduz oferta de oxigênio, dificulta cicatrização, aumenta risco de infecção persistente e eleva a probabilidade de amputação.

A avaliação vascular não começa pela angiografia. Exame clínico e testes fisiológicos não invasivos vêm primeiro: palpação de pulsos, formas de onda Doppler, índice tornozelo-braquial, índice hálux-braquial e pressão do hálux. Em diabetes, calcificação medial pode tornar artérias incompressíveis e falsamente elevar o índice tornozelo-braquial, motivo pelo qual pressões digitais e formas de onda Doppler ganham importância. Pressão transcutânea de oxigênio e pressão de perfusão cutânea podem ajudar a estimar potencial de cicatrização.

Revascularização pode ser endovascular ou aberta. O guideline de 2023 recomenda escolher estratégia conforme anatomia, disponibilidade de veia safena, risco operatório, extensão da doença e experiência do centro. Doença infrapoplítea calcificada é desafiadora, mas não torna a técnica endovascular ineficaz por definição.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A sequência clássica do pé diabético grave é úlcera, frequentemente associada a infecção e isquemia, seguida de amputação em casos que não cicatrizam ou evoluem com perda tecidual extensa. Grande parte das amputações é precedida por uma úlcera.

B) Correta (gabarito). O guideline intersocietal de 2023 informa que aproximadamente metade das pessoas com diabetes e úlcera no pé apresenta doença arterial periférica. Por isso, toda úlcera diabética deve ter avaliação objetiva da perfusão.

C) Incorreta. Perfusão pode e deve ser avaliada inicialmente por métodos não invasivos. Angiografia é exame anatômico invasivo utilizado principalmente quando é necessário planejar intervenção, não requisito para a avaliação fisiológica inicial.

D) Incorreta. Técnicas endovasculares são amplamente empregadas inclusive em doença infrapoplítea. Calcificação e lesões difusas dificultam o procedimento, mas não anulam sua eficácia. A escolha entre endovascular e bypass é individualizada.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: úlcera diabética não é apenas neuropática; cerca de metade tem doença arterial periférica associada.

  • ITB pode enganar no diabetes por calcificação e incompressibilidade; complemente com pressão do hálux e Doppler.

  • Revascularização endovascular é opção real no pé diabético, inclusive abaixo do joelho.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pé diabético e úlceras vasculares” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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