Câncer gástrico

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Questão 87
UFCSPA · 2025

Paciente masculino, 60 anos, apresenta dores abdominais e dispepsia. À endoscopia digestiva alta verificou-se abaulamento em corpo do estômago, tendo sido realizada biópsia local onde se diagnosticou sarcoma gástrico.

Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O tumor estromal gastrointestinal, GIST, é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal e deriva de células precursoras relacionadas às células intersticiais de Cajal. O estômago é a localização mais frequente. A maioria apresenta expressão de KIT, detectada por CD117, e aproximadamente três quartos dos casos possuem mutações ativadoras em KIT; outra parcela apresenta mutações em PDGFRA ou outros drivers.

As GEIS Guidelines de 2023 reforçam que o risco de recorrência não é definido pela simples presença de mutação em KIT. Os principais fatores são tamanho tumoral, índice mitótico, localização anatômica e ruptura tumoral. O subtipo molecular também pode modificar prognóstico: deleções envolvendo os códons 557 e 558 do exon 11 de KIT, por exemplo, estão associadas a maior risco de recorrência.

O gabarito B reflete uma formulação histórica que associava mutações em c-kit ao fenótipo maligno. Essa formulação é simplificada à luz da classificação atual: mutações em KIT ocorrem também em GISTs localizados de baixo risco e não constituem, isoladamente, marcador de malignidade. O que pode carregar pior prognóstico é o subtipo mutacional específico, combinado aos demais fatores de risco. O gabarito deve ser mantido, mas essa ressalva é indispensável para estudo atual.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O GIST é justamente o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal. A alternativa inverte um dado epidemiológico clássico.

B) Correta (gabarito). Esta é a alternativa escolhida pela banca por relacionar c-kit ao comportamento maligno. Para a prática atual, memorize a correção: a presença genérica de mutação em KIT não basta para definir malignidade nem mau prognóstico; mutações específicas, como deleções dos códons 557 e 558 do exon 11, podem conferir risco maior.

C) Incorreta. GIST não é, em regra, tumor tratado com radioterapia convencional como modalidade curativa principal. O tratamento de doença localizada é ressecção quando indicada, e imatinibe ou outros inibidores de tirosina quinase têm papel conforme risco, mutação e estágio. Radioterapia pode ser usada apenas em situações paliativas selecionadas.

D) Incorreta. A classificação moderna evita dividir GIST simplesmente em “benigno” e “maligno”, porque todos possuem algum potencial biológico de recorrência. Além disso, a localização gástrica tende a apresentar comportamento mais favorável que sítios não gástricos quando tamanho e mitoses são comparáveis.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: GIST é o mesenquimal mais comum do tubo digestivo, não o menos comum.

  • Prognóstico atual = tamanho + mitoses + localização + ruptura, com refinamento molecular.

  • KIT é muito frequente e importante para terapia-alvo, mas presença isolada de mutação não significa automaticamente GIST maligno.

  • GIST gástrico costuma ter prognóstico melhor que GIST intestinal equivalente.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Câncer gástrico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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