Pegadinha: não é “aleitamento materno” isoladamente, e sim aleitamento com ingesta insuficiente e perda ponderal excessiva.
Hemólise deve ser lembrada quando a bilirrubina sobe mais de 0,3 mg/dL/h nas primeiras 24 h ou mais de 0,2 mg/dL/h depois.
A AAP 2022 retirou raça ou cor da pele da estratificação de risco.
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Contexto
A diretriz da American Academy of Pediatrics de 2022 para hiperbilirrubinemia em recém-nascidos com 35 semanas ou mais separa fatores que aumentam a chance de desenvolver hiperbilirrubinemia significativa daqueles que aumentam o risco de neurotoxicidade. Entre os fatores para desenvolvimento de hiperbilirrubinemia estão menor idade gestacional, hemólise, icterícia nas primeiras 24 horas, alimentação inadequada ao seio e perda ponderal excessiva.
Incompatibilidade sanguínea materno-fetal torna-se especialmente relevante quando há doença hemolítica, como incompatibilidade Rh ou ABO acompanhada de evidências de hemólise. A maior produção de bilirrubina pode elevar rapidamente a bilirrubina total. A AAP considera aumento superior a 0,3 mg/dL por hora nas primeiras 24 horas ou 0,2 mg/dL por hora depois desse período sugestivo de hemólise.
No aleitamento, a questão não é o leite materno em si. O risco inicial está associado sobretudo à ingesta subótima, com menor eliminação de mecônio, maior circulação entero-hepática e perda excessiva de peso. A diretriz de 2022 também abandonou raça ou cor da pele como marcador de risco biológico para hiperbilirrubinemia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Idade gestacional menor realmente aumenta o risco, mas hipertermia na sala de parto não é um fator clássico de estratificação de hiperbilirrubinemia. A alternativa mistura um fator válido com outro inadequado.
B) Correta (gabarito). Incompatibilidade sanguínea com hemólise aumenta a produção de bilirrubina, enquanto perda ponderal excessiva e dificuldade de aleitamento apontam para baixa ingesta e maior circulação entero-hepática. O conjunto reúne fatores clinicamente relevantes.
C) Incorreta. Nível socioeconômico pode influenciar acesso ao cuidado e seguimento, mas não é utilizado como fator biológico direto para definir risco de hiperbilirrubinemia neonatal.
D) Incorreta. Aleitamento materno exclusivo só se torna um marcador importante quando há ingesta subótima. Além disso, cor da pele não é critério atual de risco na diretriz da AAP.