Sobre as lesões de Dieulafoy,
Pegadinha: sangramento grande com defeito mucoso pequeno é a assinatura da Dieulafoy.
Local clássico: estômago proximal, pequena curvatura, próximo à junção gastroesofágica.
Tratamento inicial é endoscópico; embolização e cirurgia são resgates para falha ou recorrência.
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Contexto
A lesão de Dieulafoy é uma causa incomum, porém potencialmente grave, de hemorragia gastrointestinal. O substrato anatômico é uma artéria submucosa de calibre persistentemente grande que se aproxima da mucosa sem sofrer o afilamento habitual. A erosão de um defeito mucoso muito pequeno expõe o vaso e pode produzir sangramento arterial volumoso, frequentemente sem úlcera péptica extensa ao redor.
A localização clássica é o estômago proximal, sobretudo ao longo da pequena curvatura, a poucos centímetros da junção gastroesofágica. A expressão da alternativa C, “malformação vascular primordial”, é terminologia histórica e menos precisa do que a descrição atual de artéria de calibre persistente, mas identifica a lesão anatômica que a banca pretende cobrar.
O diagnóstico pode ser difícil porque o sangramento é intermitente e o defeito mucoso é pequeno. Endoscopia é o método inicial, com tratamento preferencialmente mecânico ou térmico, muitas vezes combinado à injeção. Se o sangramento recidivar, nova endoscopia ou embolização angiográfica são opções. Cirurgia fica reservada para falha das abordagens menos invasivas e exige localização adequada da área responsável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O defeito mucoso costuma ser diminuto, às vezes com um vaso protruso ou coágulo aderido, e pode passar despercebido na primeira endoscopia. O sangramento pode ser desproporcional ao tamanho da lesão.
B) Incorreta. Marcação endoscópica pode ter utilidade quando se antecipa necessidade de nova abordagem, angiografia ou cirurgia, ajudando a relocalizar uma lesão pequena e intermitente. Portanto, afirmar ausência absoluta de benefício é incorreto.
C) Correta (gabarito). A alternativa aponta a localização e a natureza vascular clássicas cobradas em prova: vaso arterial submucoso anormalmente calibroso, com predileção pela pequena curvatura do estômago proximal.
D) Incorreta. A cirurgia não é proibida de forma absoluta. Ela pode ser necessária no sangramento refratário, mas a ressecção deve ser dirigida após localização do foco, frequentemente com auxílio endoscópico ou angiográfico. O problema é a ressecção “às cegas”, não uma contraindicação universal à cirurgia.