Em relação à hemorragia digestiva baixa, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
I. A causa mais comum é a doença diverticular (até 40% dos casos).
II. Mesmo diante de um quadro de enterorragia, deve-se afastar hemorragia digestiva alta em pacientes com trânsito gastrointestinal mais acelerado.
III. A colonoscopia é um exame extremamente útil para identificação da origem do sangramento e – eventualmente – tratamento endoscópico; logo, deve ser realizada o quanto antes, mesmo sem preparo colônico ou estabilização hemodinâmica.
IV. Instabilidade hemodinâmica refratária, administração de mais de 4 unidades de sangue em 24h ou mais de 10 unidades de sangue na internação são consideradas indicação de cirurgia.
Pegadinha central: na hemorragia digestiva baixa, ressuscite primeiro; colonoscopia sem preparo e antes da estabilização está errada.
Hematoquezia volumosa com instabilidade pode vir de fonte digestiva alta.
ACG 2023: angiotomografia ganhou papel central no sangramento grave em curso, e colonoscopia urgente em menos de 24 horas não melhora desfechos importantes na maioria dos internados.
Cirurgia atual é estratégia de resgate após falha ou inviabilidade do controle endoscópico e radiológico, não resposta automática a um único limiar transfusional.
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Contexto
Na hemorragia digestiva baixa aguda, a prioridade é estabilização hemodinâmica antes da investigação endoscópica. A diretriz atualizada do American College of Gastroenterology de 2023 reforça avaliação inicial da gravidade, reposição volêmica e uso crescente da angiotomografia em sangramento importante e ativo. A colonoscopia continua sendo exame relevante, mas a maioria dos pacientes internados deve realizá-la de forma não urgente após preparo adequado, pois colonoscopia emergencial em menos de 24 horas não demonstrou melhorar desfechos clínicos importantes.
A diverticulose é uma das causas mais frequentes de hemorragia digestiva baixa importante e responde por parcela expressiva dos casos. Hematoquezia ou enterorragia também podem surgir em hemorragia digestiva alta volumosa quando o trânsito intestinal está acelerado, sobretudo se houver instabilidade hemodinâmica. Nessa situação, uma fonte alta deve ser ativamente considerada.
A afirmativa IV utiliza critérios transfusionais clássicos, como mais de 4 unidades em 24 horas ou mais de 10 unidades durante a internação, para caracterizar sangramento grave com indicação operatória. Diretrizes atuais não usam esses números como gatilhos absolutos isolados; cirurgia é reservada, em geral, para sangramento persistente ou recorrente grave após falha ou inviabilidade de métodos endoscópicos e radiológicos. O gabarito deve ser preservado porque a banca adotou o critério cirúrgico tradicional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. II é verdadeira, mas III é falsa. Colonoscopia não deve anteceder ressuscitação hemodinâmica nem ser realizada rotineiramente sem preparo colônico adequado.
B) Correta (gabarito). I e II estão corretas, e IV corresponde ao critério clássico utilizado pela prova para sangramento refratário grave. A ressalva atual é que a decisão cirúrgica não deve depender apenas de um número fixo de bolsas transfundidas, mas da persistência do sangramento, estabilidade, localização do foco e falha de terapias menos invasivas.
C) Incorreta. A alternativa inclui III, que é falsa. Mesmo quando a colonoscopia será realizada durante a internação, estabilização e preparo precedem o exame.
D) Incorreta. Nem todas são corretas porque a afirmativa III propõe uma sequência perigosa e tecnicamente inadequada ao colocar colonoscopia antes da estabilização e sem preparo.