Ensaios clínicos e medicina baseada em evidências

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Questão 49
UFCSPA · 2025

O planejamento de um ensaio clínico randomizado (ECR) se assemelha a um estudo de coorte. Por isso, este último também é chamado de um “experimento natural”.

A principal característica que faz com que um ECR seja considerado o padrão-ouro para estudar intervenções médicas em vez de estudos de coorte é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O ensaio clínico randomizado é considerado o desenho experimental de referência para avaliar intervenções porque o investigador não apenas define intervenção e comparador, mas aloca os participantes aleatoriamente entre os grupos. A randomização rompe, em expectativa, a associação entre características prognósticas basais e o tratamento recebido.

Com amostras suficientemente grandes, esse processo tende a produzir grupos semelhantes quanto a fatores de confusão conhecidos e desconhecidos. A expressão garante, usada na alternativa, deve ser interpretada com cautela: randomização não garante equilíbrio perfeito em cada ensaio individual, especialmente em amostras pequenas, mas torna diferenças sistemáticas menos prováveis e fornece base válida para inferência causal.

Ocultação da sequência de alocação evita que pesquisadores antecipem o próximo grupo e selecionem pacientes de forma enviesada. Cegamento, quando possível, reduz vieses de desempenho e aferição. Esses elementos complementam, mas não substituem, a randomização.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Amostra grande melhora precisão e pode contribuir para representatividade, mas não garante validade externa e não é a característica que diferencia fundamentalmente ECR de coorte.

B) Incorreta. Definir intervenção e controle previamente não elimina confundimento. Sem randomização, participantes que recebem tratamentos diferentes podem diferir sistematicamente em prognóstico.

C) Incorreta. O efeito Hawthorne pode ocorrer em ensaios porque participantes modificam comportamentos ao saber que estão sendo observados. Observar os dois grupos não o elimina necessariamente.

D) Correta (gabarito). A randomização tende a distribuir fatores prognósticos conhecidos e desconhecidos entre os grupos, especialmente em amostras maiores, reduzindo confundimento e fortalecendo a inferência causal. Tecnicamente, ela não assegura equilíbrio absoluto em cada estudo.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: o coração causal do ECR é a randomização.

  • Randomização equilibra confundidores em expectativa, não garante grupos idênticos.

  • Ocultação da alocação previne seleção; cegamento reduz vieses após a alocação.

  • Tamanho amostral melhora precisão, mas não transforma sozinho um estudo em padrão-ouro causal.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Ensaios clínicos e medicina baseada em evidências” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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