Paciente portador de DPOC em uso de formoterol+budesonida e tiotrópio vem à emergência com queixa de piora da dispneia e tosse produtiva purulenta. Sem exacerbações nos últimos dois anos. Relata piora da sibilância.
Pegadinha: exacerbação de DPOC não deve ser tratada automaticamente como pneumonia comunitária.
Escarro purulento favorece etiologia bacteriana e lembra H. influenzae, M. catarrhalis e pneumococo.
Pseudomonas exige procurar fatores de risco específicos, não apenas o diagnóstico de DPOC.
O GOLD 2026 mantém infecção e poluição entre os principais gatilhos, sem transformar poluição na causa principal obrigatória.
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Contexto
O GOLD 2026 define exacerbação da DPOC como piora aguda de dispneia e/ou tosse e expectoração ao longo de poucos dias, geralmente até 14 dias, associada a aumento de inflamação das vias aéreas por infecção, poluição ou outros insultos. Infecções respiratórias, virais ou bacterianas, estão entre os desencadeantes mais frequentes.
Quando há componente bacteriano típico, especialmente com purulência do escarro, os agentes clássicos incluem Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e Streptococcus pneumoniae. A seleção de antibiótico, quando indicada, depende da gravidade, do padrão local de resistência e do risco de patógenos resistentes.
Pseudomonas aeruginosa deve ser lembrada quando o fenótipo é de maior risco, como obstrução grave, exacerbações frequentes, ventilação mecânica, internações ou exposição antibiótica recorrente e história microbiológica prévia compatível. O paciente da questão não teve exacerbações por dois anos, o que enfraquece a hipótese de Pseudomonas como agente provável.
Antibiótico não é sinônimo de dupla terapia para pneumonia comunitária. Em exacerbação de DPOC, a presença de escarro purulento, aumento do volume do escarro e piora da dispneia ajuda a definir quem se beneficia, e o esquema é escolhido conforme risco individual. Betalactâmico mais macrolídeo não é uma exigência universal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Poluição pode precipitar exacerbações, mas não deve ser apresentada como causa principal universal. Infecções respiratórias são desencadeantes muito frequentes e, em muitos episódios, mais relevantes.
B) Correta (gabarito). H. influenzae, M. catarrhalis e pneumococo formam o trio bacteriano clássico das exacerbações habituais da DPOC, compatível com um paciente sem história recente de exacerbações recorrentes ou fatores fortes para germes resistentes.
C) Incorreta. Pseudomonas torna-se mais provável em pacientes com doença muito grave, exacerbações repetidas, ventilação mecânica, hospitalizações ou exposição antibiótica relevante. Nada disso é fornecido como característica dominante do caso.
D) Incorreta. Não há obrigação de combinar betalactâmico e macrolídeo em toda exacerbação. Essa lógica pertence mais a determinados cenários de pneumonia. Na DPOC exacerbada, a escolha antibiótica é individualizada e, em muitos casos, monoterapia é suficiente.