Pegadinha central: autonomia = decidir; independência = executar.
Avaliação geriátrica é multidimensional porque funcionalidade resulta da interação entre doença, capacidade intrínseca, ambiente e suporte.
Rastreamento cognitivo universal em assintomáticos não tem benefício líquido estabelecido; suspeita clínica ou funcional deve ser investigada.
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Contexto
A avaliação multidimensional da pessoa idosa parte de uma ideia central: doença, sozinha, não descreve a saúde na velhice. É preciso avaliar funcionalidade, cognição, humor, mobilidade, nutrição, medicamentos, condições clínicas, suporte social, ambiente e outros determinantes, integrando os achados em um plano de cuidado. O Ministério da Saúde vem fortalecendo essa abordagem na APS, inclusive com incorporação do IVCF-20 ao prontuário eletrônico e-SUS APS para rastrear vulnerabilidade clínico-funcional.
Dois conceitos são clássicos e frequentemente invertidos pela banca. Autonomia é a capacidade de decidir, escolher e comandar a própria vida. Independência é a capacidade de executar atividades com os próprios meios, sem ajuda de terceiros. Uma pessoa pode ter limitação motora e depender de ajuda para banho, mas manter plena autonomia para decidir como deseja viver e ser cuidada.
Quanto ao rastreamento cognitivo universal em idosos assintomáticos, a recomendação final vigente da USPSTF de 2020 concluiu que a evidência é insuficiente para avaliar o balanço entre benefícios e danos do rastreamento em adultos com 65 anos ou mais sem sinais ou sintomas reconhecidos. Isso não significa ignorar cognição: diante de queixa do paciente, relato do informante ou perda funcional suspeita, deve-se investigar.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. “Realizar algo com os próprios meios” define independência, isto é, desempenho funcional sem ajuda. Autonomia é poder decidir e comandar as próprias escolhas.
B) Incorreta. A alternativa fornece a definição de autonomia e a chama de independência. Essa inversão é uma pegadinha clássica em Geriatria e Medicina de Família.
C) Correta (gabarito). A avaliação multidimensional exige integração de múltiplos domínios, incluindo dimensões físicas, cognitivas, nutricionais, psicológicas, sociais e ambientais, além de valores e espiritualidade quando clinicamente relevantes. O objetivo final é compreender vulnerabilidade e funcionalidade, não apenas listar doenças.
D) Incorreta. O problema está logo na primeira frase: não há evidência convincente que sustente rastreamento cognitivo rotineiro universal de todos os idosos assintomáticos. A presença de alterações de memória, linguagem, função visuoespacial ou desempenho cotidiano pode justificar avaliação dirigida, mas isso é diferente de rastrear indiscriminadamente toda a população idosa.