Endometriose e dor pélvica crônica

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 75
UFCSPA · 2025

Sobre o tratamento da endometriose, avalie se as afirmativas são verdadeiras (V) ou falsas (F) e assinale a sequência correspondente.


( ) A endometriose deve ser abordada como uma doença crônica e merece acompanhamento durante a vida reprodutiva da mulher, momento no qual a doença manifesta seus principais sintomas. 

( ) Em pacientes sem desejo gestacional, o tratamento clínico é eficaz no controle da dor pélvica e deve ser o tratamento de escolha na ausência de indicações absolutas para cirurgia. 

( ) O principal objetivo do tratamento clínico é o alívio dos sintomas álgicos e a melhora da qualidade de vida, não se esperando diminuição das lesões ou cura da doença, mas, sim, o controle do quadro clínico. 

( ) O seguimento deve ser realizado por equipe multidisciplinar com terapia medicamentosa hormonal e analgésica, quando necessário, e terapias complementares, como atividade física, fisioterapia, acupuntura e psicologia, conforme as indicações apropriadas para cada paciente.


Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Endometriose é uma doença crônica, estrogênio-dependente e heterogênea. O objetivo terapêutico deve ser individualizado conforme dor, desejo reprodutivo, localização da doença, tratamentos prévios, efeitos adversos e preferências. A ESHRE Guideline on Endometriosis de 2022, ainda referência internacional ampla, recomenda tratamento hormonal como uma das opções eficazes para reduzir dor associada à endometriose e reforça decisão compartilhada.

Quando não há desejo gestacional imediato, a supressão hormonal pode ser feita com contraceptivos hormonais combinados ou progestagênios; agonistas e antagonistas de GnRH são opções de linhas posteriores em muitos cenários por perfil de efeitos adversos. Tratamento clínico controla sintomas, mas não é considerado cura definitiva. A recidiva após suspensão é possível porque a doença permanece biologicamente ativa durante os anos reprodutivos.

Cirurgia não é obrigatória apenas porque existe endometriose. Ela entra na decisão quando há sintomas refratários, contraindicação ou falha do manejo clínico, complicações anatômicas, necessidade diagnóstica selecionada ou situações específicas relacionadas à fertilidade. A abordagem multidisciplinar pode integrar analgesia, fisioterapia pélvica, manejo de dor crônica e apoio psicológico. A ESHRE 2022 reconhece a importância de estratégias não médicas para qualidade de vida, embora a evidência seja insuficiente para recomendar uma técnica complementar específica como tratamento universal.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A primeira afirmativa é verdadeira: endometriose deve ser entendida como doença crônica, com seguimento longitudinal durante a vida reprodutiva e eventual repercussão além dela. A alternativa erra ao classificar a segunda afirmativa como falsa.

B) Correta (gabarito). As quatro afirmativas expressam o paradigma atual: doença crônica, preferência por manejo clínico da dor quando não há desejo gestacional e não existe indicação cirúrgica obrigatória, objetivo centrado em sintomas e qualidade de vida e integração de diferentes profissionais e modalidades terapêuticas quando apropriado.

C) Incorreta. As três primeiras afirmativas não são falsas. A supressão hormonal é comprovadamente eficaz para dor, e o tratamento clínico busca controle da doença sintomática, não erradicação definitiva das lesões.

D) Incorreta. A segunda afirmativa também é verdadeira e a quarta é compatível com cuidado multidisciplinar individualizado. Terapias complementares não devem ser apresentadas como obrigatórias nem como curativas, mas podem compor o cuidado conforme sintomas, preferência e disponibilidade.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: endometriose não significa cirurgia; sem desejo gestacional e sem indicação cirúrgica específica, tratamento clínico é uma estratégia de primeira linha para dor.

  • Tratamento hormonal controla sintomas e recorrência, mas não deve ser vendido como cura definitiva.

  • GnRH costuma ficar para linhas posteriores; progestagênios e contraceptivos combinados são opções frequentes de início.

  • Abordagem de dor crônica pode ser multidisciplinar, especialmente quando há dispareunia, disfunção do assoalho pélvico ou impacto psicossocial.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Endometriose e dor pélvica crônica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →