Pegadinha central: realimentação = pense primeiro em hipofosfatemia, mas monitore também potássio, magnésio e tiamina.
Trauma cirúrgico gera catabolismo, não anabolismo.
ESPEN 2025: alimentação oral/enteral deve começar precocemente quando tolerada, sem esperar sinais tradicionais de “funcionamento intestinal”.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A síndrome de realimentação ocorre após reintrodução de calorias em pessoa com depleção nutricional importante. A oferta de carboidrato aumenta insulina, desloca fósforo, potássio e magnésio para o meio intracelular e aumenta a necessidade de tiamina. O resultado pode incluir arritmias, insuficiência cardíaca, fraqueza respiratória, alterações neurológicas e morte.
O consenso ASPEN de 2020 definiu síndrome de realimentação por queda de fósforo, potássio e/ou magnésio dentro de 5 dias após reintrodução ou aumento de calorias: redução de 10% a 20% é classificada como leve, 20% a 30% como moderada e acima de 30% ou acompanhada de disfunção orgânica como grave. Embora a definição atual não dependa apenas do fósforo, hipofosfatemia continua sendo o achado laboratorial clássico.
A ESPEN Guideline on Clinical Nutrition in Surgery, atualização de 2025, recomenda iniciar alimentação oral ou enteral o mais cedo possível nas primeiras horas após a cirurgia em pacientes conscientes, hemodinamicamente estáveis e sem contraindicação. Não é necessário esperar retorno de ruídos hidroaéreos, flatos ou evacuação para iniciar alimentação na maioria dos procedimentos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A síndrome de realimentação é potencialmente fatal e pode ocorrer com nutrição oral, enteral, parenteral ou mesmo glicose intravenosa em pessoas de alto risco. Hipofosfatemia é o achado clássico, embora a ASPEN atual também inclua quedas de potássio e magnésio em sua definição.
B) Incorreta. Quem melhor mantém estímulo luminal, trofismo e função da mucosa é a nutrição enteral. A parenteral contorna o intestino e deve ser reservada para quando a via digestiva não pode atender às necessidades.
C) Incorreta. A resposta metabólica ao trauma é predominantemente catabólica, com glicogenólise, lipólise e proteólise, além de resistência à insulina. A terapia nutricional limita déficits e favorece recuperação, mas não transforma imediatamente esse estado em anabolismo intenso.
D) Incorreta. Protocolos modernos de recuperação acelerada promovem alimentação precoce. Não é necessário aguardar ruídos intestinais, eliminação de gases ou evacuação se o paciente está consciente, estável e sem contraindicação mecânica ou clínica à via enteral.