Paciente com quadro clínico e diagnóstico definido de abortamento de primeiro trimestre. Pergunta ao médico se pode ser submetida à técnica de esvaziamento uterino somente com aspiração manual intrauterina (AMIU) em vez de uma curetagem simples.
Pegadinha central: a prova usa o corte brasileiro clássico de 12 semanas para AMIU.
Aspiração é preferível à curetagem cortante isolada no esvaziamento precoce.
Atualização importante: a OMS atualmente trabalha com aspiração a vácuo antes de 14 semanas; memorize o referencial que a questão está cobrando.
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Contexto
A aspiração uterina é preferível à curetagem cortante isolada para esvaziamento cirúrgico precoce por apresentar menor trauma endometrial e boa eficácia. No recorte brasileiro usado pela questão, a norma técnica do Ministério da Saúde descreve a aspiração manual intrauterina, AMIU, para úteros compatíveis com gestação de até 12 semanas e a considera técnica de escolha em diversas situações de abortamento precoce.
A justificativa tradicional para limitar a AMIU após essa idade gestacional relaciona-se ao aumento do volume uterino, maior quantidade de tecido e presença progressiva de estruturas fetais mais firmes, tornando a aspiração manual isolada menos apropriada e elevando a complexidade do procedimento. A frase da alternativa C atribui isso especificamente ao risco de perfuração por partes ósseas, formulação típica de materiais mais antigos e que deve ser entendida dentro do referencial da banca.
Há atualização internacional relevante. A OMS, no Abortion Care Guideline, recomenda aspiração a vácuo como método cirúrgico antes de 14 semanas e dilatação e evacuação a partir de 14 semanas. Portanto, o corte de 12 semanas não é universal hoje. A questão segue o limite de 12 semanas tradicionalmente adotado na norma brasileira e, por determinação do enunciado, o gabarito C deve ser preservado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A afirmativa ignora o limite técnico adotado pela referência brasileira da prova. Nem todo abortamento denominado genericamente “de primeiro trimestre” deve ser tratado sem considerar idade gestacional, tamanho uterino, estabilidade clínica, presença de infecção e experiência do serviço.
B) Incorreta. O limite de 10 semanas é mais restritivo do que o utilizado pela banca e pela norma técnica brasileira citada, que admite AMIU até 12 semanas. O risco de sangramento não cria um corte absoluto em 10 semanas.
C) Correta (gabarito). É a alternativa que corresponde ao referencial adotado pela prova: AMIU como opção de esvaziamento em gestação com menos de 12 semanas. A justificativa sobre partes ósseas reflete a explicação tradicional da banca; diretrizes internacionais atuais usam limites um pouco diferentes para aspiração a vácuo.
D) Incorreta. AMIU não é uma técnica reservada à doença trofoblástica gestacional. É utilizada amplamente no manejo cirúrgico do abortamento precoce. A suspeita de doença trofoblástica exige avaliação específica, mas não define a indicação exclusiva do método.