Choque hemorrágico no trauma

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 1
UFCSPA · 2025

Em relação ao trauma vascular,

assinale a alternativa CORRETA.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O trauma vascular exige duas prioridades simultâneas: controlar a hemorragia e limitar o tempo de isquemia. As Diretrizes Brasileiras sobre Diagnóstico e Manejo das Lesões Vasculares Traumáticas de 2023 incorporam técnicas endovasculares e o conceito de controle de danos, incluindo o uso de shunts intravasculares temporários em pacientes fisiologicamente graves. O objetivo do shunt é restabelecer rapidamente o fluxo distal sem consumir o tempo necessário para uma reconstrução vascular definitiva complexa.

O shunt é particularmente útil quando há instabilidade, múltiplas lesões, necessidade de estabilização ortopédica antes da reconstrução, transferência entre serviços ou qualquer situação em que prolongar a operação para um reparo vascular definitivo aumente o risco global. Depois da correção da fisiologia e do tratamento das lesões prioritárias, realiza-se a reconstrução definitiva.

Outro conceito clássico é que secção parcial pode sangrar mais do que transecção completa. Na transecção total, as extremidades vasculares podem retrair, sofrer vasoespasmo e trombosar; na lesão parcial, o vaso permanece sob tensão e com continuidade suficiente para manter fluxo pressurizado pelo defeito. No trauma pélvico, técnicas endovasculares, sobretudo angioembolização de sangramento arterial, fazem parte do arsenal terapêutico. Já a fasciotomia é indicada conforme risco ou presença de síndrome compartimental, com especial relevância na perna, que contém compartimentos osteofasciais pouco complacentes.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A pegadinha é presumir que uma lesão incompleta obrigatoriamente sangra menos. Secções parciais podem manter hemorragia intensa porque o vaso não se retrai nem trombosa como pode ocorrer após uma transecção completa.

B) Incorreta. O tratamento endovascular não é contraindicado na fratura pélvica hemorrágica. Quando há fonte arterial, a angiografia com embolização pode ser decisiva para o controle da hemorragia, integrada à ressuscitação e às demais medidas de estabilização pélvica.

C) Correta (gabarito). O shunt intraluminal temporário é uma estratégia reconhecida de controle de danos vascular: mantém perfusão distal e reduz o tempo de isquemia enquanto o paciente é ressuscitado ou outras lesões prioritárias são tratadas, deixando o reparo definitivo para um momento fisiologicamente mais seguro.

D) Incorreta. A necessidade de fasciotomia decorre da pressão compartimental, do tempo de isquemia, da reperfusão e de lesões arteriais e venosas associadas, não da simples quantidade de massa muscular. A perna é o sítio clássico de síndrome compartimental aguda após trauma vascular; a coxa pode ser acometida, mas não é o local mais frequente apenas por ser mais musculosa.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: transecção completa não significa necessariamente maior sangramento; a secção parcial pode permanecer sangrando sob pressão.

  • Paciente exsanguinante ou fisiologicamente esgotado pode receber shunt vascular temporário como ponte para reconstrução definitiva.

  • Fratura pélvica com sangramento arterial pode ser tratada por abordagem endovascular, especialmente embolização.

  • Fasciotomia é decisão baseada em risco de síndrome compartimental e reperfusão, não em massa muscular isolada.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Choque hemorrágico no trauma” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →