Em relação ao trauma vascular,
Pegadinha: transecção completa não significa necessariamente maior sangramento; a secção parcial pode permanecer sangrando sob pressão.
Paciente exsanguinante ou fisiologicamente esgotado pode receber shunt vascular temporário como ponte para reconstrução definitiva.
Fratura pélvica com sangramento arterial pode ser tratada por abordagem endovascular, especialmente embolização.
Fasciotomia é decisão baseada em risco de síndrome compartimental e reperfusão, não em massa muscular isolada.
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Contexto
O trauma vascular exige duas prioridades simultâneas: controlar a hemorragia e limitar o tempo de isquemia. As Diretrizes Brasileiras sobre Diagnóstico e Manejo das Lesões Vasculares Traumáticas de 2023 incorporam técnicas endovasculares e o conceito de controle de danos, incluindo o uso de shunts intravasculares temporários em pacientes fisiologicamente graves. O objetivo do shunt é restabelecer rapidamente o fluxo distal sem consumir o tempo necessário para uma reconstrução vascular definitiva complexa.
O shunt é particularmente útil quando há instabilidade, múltiplas lesões, necessidade de estabilização ortopédica antes da reconstrução, transferência entre serviços ou qualquer situação em que prolongar a operação para um reparo vascular definitivo aumente o risco global. Depois da correção da fisiologia e do tratamento das lesões prioritárias, realiza-se a reconstrução definitiva.
Outro conceito clássico é que secção parcial pode sangrar mais do que transecção completa. Na transecção total, as extremidades vasculares podem retrair, sofrer vasoespasmo e trombosar; na lesão parcial, o vaso permanece sob tensão e com continuidade suficiente para manter fluxo pressurizado pelo defeito. No trauma pélvico, técnicas endovasculares, sobretudo angioembolização de sangramento arterial, fazem parte do arsenal terapêutico. Já a fasciotomia é indicada conforme risco ou presença de síndrome compartimental, com especial relevância na perna, que contém compartimentos osteofasciais pouco complacentes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A pegadinha é presumir que uma lesão incompleta obrigatoriamente sangra menos. Secções parciais podem manter hemorragia intensa porque o vaso não se retrai nem trombosa como pode ocorrer após uma transecção completa.
B) Incorreta. O tratamento endovascular não é contraindicado na fratura pélvica hemorrágica. Quando há fonte arterial, a angiografia com embolização pode ser decisiva para o controle da hemorragia, integrada à ressuscitação e às demais medidas de estabilização pélvica.
C) Correta (gabarito). O shunt intraluminal temporário é uma estratégia reconhecida de controle de danos vascular: mantém perfusão distal e reduz o tempo de isquemia enquanto o paciente é ressuscitado ou outras lesões prioritárias são tratadas, deixando o reparo definitivo para um momento fisiologicamente mais seguro.
D) Incorreta. A necessidade de fasciotomia decorre da pressão compartimental, do tempo de isquemia, da reperfusão e de lesões arteriais e venosas associadas, não da simples quantidade de massa muscular. A perna é o sítio clássico de síndrome compartimental aguda após trauma vascular; a coxa pode ser acometida, mas não é o local mais frequente apenas por ser mais musculosa.