A pegadinha central: queimadura elétrica pequena por fora pode ser enorme por dentro.
Rabdomiólise libera mioglobina e pode causar injúria renal por nefropatia pigmentária.
Vigie também arritmias, distúrbios de potássio e síndrome compartimental.
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Contexto
A queimadura elétrica é diferente da queimadura térmica comum porque a corrente pode atravessar planos profundos e produzir necrose muscular, vascular e nervosa muito maior do que a lesão cutânea aparente. A extensão do dano depende de voltagem, resistência dos tecidos, intensidade da corrente, duração do contato e trajeto percorrido pelo organismo.
O músculo lesado pode evoluir com rabdomiólise e liberar grandes quantidades de mioglobina. A mioglobina é filtrada pelos glomérulos e, em contexto de hipovolemia e urina ácida, pode precipitar nos túbulos, causar toxicidade tubular e contribuir para injúria renal aguda por nefropatia pigmentária. Por isso, queimaduras elétricas extensas exigem avaliação de creatinoquinase, função renal, eletrólitos e urina, além de reposição volêmica guiada pela resposta clínica.
A pele apresenta resistência relativamente alta em comparação com tecidos internos úmidos, mas isso não significa que seja obrigatoriamente muito lesada. Uma pequena marca de entrada pode coexistir com grande dano profundo. Quando edema muscular leva a síndrome compartimental, a descompressão deve ser completa, com fasciotomia adequada dos compartimentos comprometidos e liberação de estruturas neurovasculares quando necessário.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A destruição muscular libera mioglobina, que pode ser filtrada pelos rins e participar de lesão tubular e obstrução intratubular, especialmente diante de rabdomiólise importante e hipovolemia.
B) Incorreta. A queimadura elétrica é justamente conhecida por produzir dano profundo oculto. O aspecto da pele pode subestimar muito a extensão da necrose muscular e vascular.
C) Incorreta. A pele possui resistência elétrica elevada, mas a quantidade de lesão cutânea depende das condições do contato e não reflete obrigatoriamente a gravidade interna. Corrente pode produzir dano profundo significativo com pouca alteração externa.
D) Incorreta. Síndrome compartimental exige fasciotomia suficiente para descomprimir todo o compartimento comprometido. Descompressão parcial deixa isquemia residual e pode resultar em necrose muscular e lesão nervosa permanente.