Coqueluche e doenças imunopreveníveis

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Questão 46
UFCSPA · 2026

Lactente do sexo masculino, 3 meses de idade, previamente hígido, apresenta quadro de tosse há 11 dias. A mãe relata que os episódios ocorrem em crises acompanhadas de cianose e engasgo, seguidos de vômitos. Está em uso de azitromicina há dois dias, sem melhora. Ao exame, apresenta congestão facial durante os acessos de tosse, mas mantém saturação de oxigênio normal fora deles. O esquema vacinal está incompleto para a idade.

Com base no quadro clínico e nos critérios de definição de caso suspeito para coqueluche, qual é a conduta diagnóstica mais apropriada nesse momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, 6ª edição, define como caso suspeito de coqueluche em menor de 6 meses todo indivíduo, independentemente do estado vacinal, com tosse de qualquer tipo há 10 dias ou mais, associada a pelo menos um dos seguintes achados: tosse paroxística, guincho inspiratório, vômito pós-tosse, cianose, apneia ou engasgo.

Este lactente tem 3 meses, tosse há 11 dias, crises paroxísticas com cianose e engasgo e vômitos após a tosse. Portanto, preenche de forma inequívoca a definição epidemiológica de caso suspeito. A coqueluche nessa idade pode ser grave, e ausência de febre não afasta o diagnóstico; a fase paroxística costuma ser afebril ou cursar apenas com febre baixa.

A investigação laboratorial pode ser feita por coleta de secreção de nasofaringe para cultura e/ou PCR, conforme disponibilidade e fase da doença, idealmente antes ou no início da antibioticoterapia. Entretanto, o reconhecimento do caso suspeito, a notificação, o isolamento e o tratamento não devem depender de aguardar o resultado da cultura. Além disso, azitromicina reduz transmissão, mas não interrompe imediatamente os paroxismos, especialmente quando iniciada após a fase catarral.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Cultura pode integrar a confirmação laboratorial, mas não se deve esperar seu resultado para reconhecer e manejar um lactente que já preenche a definição de caso suspeito.

B) Correta (gabarito). Pela definição do Ministério da Saúde, menor de 6 meses com tosse há pelo menos 10 dias e cianose, engasgo, vômito pós-tosse ou paroxismos é caso suspeito de coqueluche. O termo confirmar, na alternativa, deve ser entendido como confirmar a hipótese clínica de suspeição, não como dispensar investigação laboratorial ou epidemiológica quando indicada.

C) Incorreta. Ausência de febre é compatível com coqueluche, e dois dias de azitromicina não excluem a doença nem fazem os acessos desaparecerem imediatamente.

D) Incorreta. Saturação normal entre as crises não afasta coqueluche. Em lactentes pequenos, os eventos podem ser episódicos, com cianose ou apneia durante os paroxismos e aparente recuperação entre eles.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central: < 6 meses + tosse ≥ 10 dias + um sinal típico = caso suspeito.

  • Sinais típicos no lactente: paroxismo, guincho, vômito pós-tosse, cianose, apneia ou engasgo.

  • Coqueluche costuma ter pouca ou nenhuma febre; antibiótico reduz transmissão, mas a tosse pode persistir por semanas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Coqueluche e doenças imunopreveníveis” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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