Abdome agudo: abordagem diagnóstica

Acesso diretoQuestão anulada pela bancaComentada pelo MedBoard
Questão 94
UFCSPA · 2026

Paciente de 56 anos, HAS e DM (em uso de insulinoterapia), internado há 2 dias para investigação de dor abdominal difusa. No terceiro dia de internação apresenta dois episódios de vômito, melena e importante distensão abdominal. Realiza-se sondagem nasogástrica, otimização de analgesia e sondagem vesical de alívio. Durante a sondagem vesical, percebe-se uma pressão intra-abdominal de 22mmHg.

Qual é a conduta correta da equipe médica em avaliação do caso?
Esta questão foi anulada pela banca, então não existe alternativa correta. O comentário abaixo explica o que ela cobrava e por que não se sustentou.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Questão anulada oficialmente. A pressão intra-abdominal é medida de forma indireta pela bexiga e deve ser interpretada segundo as definições da WSACS. Hipertensão intra-abdominal corresponde a elevação sustentada ou repetida da pressão para pelo menos 12 mmHg. Uma pressão de 22 mmHg situa-se na hipertensão intra-abdominal grau III.

A síndrome compartimental abdominal exige pressão sustentada acima de 20 mmHg associada a nova disfunção ou falência orgânica atribuível à hipertensão abdominal. O valor de 22 mmHg, isoladamente, não fecha essa síndrome. Distensão e vômitos são preocupantes, mas o enunciado não fornece de forma inequívoca oligúria persistente, insuficiência respiratória, choque ou outra falência nova atribuível ao aumento pressórico.

O manejo inicial da hipertensão intra-abdominal inclui descompressão gastrointestinal, otimização de analgesia e sedação, correção de balanço hídrico e tratamento da causa. Se houver síndrome compartimental abdominal com falência orgânica progressiva apesar das medidas clínicas, descompressão cirúrgica pode ser necessária. Como esses critérios não foram apresentados de modo suficiente, nenhuma das quatro intervenções pode ser apontada inequivocamente como resposta única.

Alternativa por alternativa

A) Sem gabarito válido. Ultrassonografia pode ajudar a identificar líquido livre, coleções ou outras causas de distensão, mas não é tratamento específico da hipertensão intra-abdominal e sua necessidade depende da hipótese etiológica.

B) Sem gabarito válido. Laparoscopia diagnóstica não é indicada apenas porque a pressão intra-abdominal atingiu 22 mmHg. Se houver necessidade de descompressão urgente por síndrome compartimental, uma abordagem restrita por laparoscopia pode inclusive ser inadequada.

C) Sem gabarito válido. Endoscopia pode investigar melena, porém não corrige hipertensão intra-abdominal. A prioridade depende de estabilidade hemodinâmica, gravidade do sangramento e presença ou não de disfunção orgânica por síndrome compartimental.

D) Sem gabarito válido. Laparotomia descompressiva é tratamento de síndrome compartimental abdominal refratária, mas pressão de 22 mmHg sem nova falência orgânica não basta para indicar cirurgia automaticamente.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central: PIA > 20 mmHg sozinha não é síndrome compartimental; precisa haver nova disfunção orgânica.

  • 22 mmHg = hipertensão intra-abdominal grau III.

  • Descompressão cirúrgica entra quando existe síndrome compartimental com deterioração apesar das medidas clínicas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abdome agudo: abordagem diagnóstica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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