A pegadinha central: PEG serve tanto para desimpactar quanto para manter.
Fecaloma deve ser resolvido antes de se esperar sucesso do esquema de manutenção.
Enema fosfatado em lactente pode causar distúrbios hidroeletrolíticos graves.
Óleo mineral pede cautela sempre que houver risco de aspiração.
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Contexto
Na constipação funcional pediátrica, o tratamento é dividido em duas etapas quando existe fecaloma: desimpactação primeiro e manutenção depois. O polietilenoglicol, PEG 3350 ou PEG 4000, é a opção preferencial nas duas fases porque apresenta boa eficácia, pouca absorção sistêmica e melhor tolerabilidade do que muitos esquemas retais. O consenso ESPGHAN/NASPGHAN recomenda PEG por via oral como primeira escolha para desimpactação e também para manutenção.
Enemas podem ser utilizados em situações selecionadas, mas enema fosfatado não é opção segura para lactentes, pois a absorção de fosfato pode causar hiperfosfatemia, hipocalcemia, desidratação e lesão renal. Laxantes estimulantes, como bisacodil ou sene, não são proibidos na infância e podem ser usados como terapia adicional quando o laxante osmótico isolado é insuficiente.
Óleo mineral também exige seleção cuidadosa. O principal problema é o risco de aspiração e pneumonia lipoídica, motivo pelo qual deve ser evitado em lactentes e em pacientes com disfagia, refluxo importante, alterações neurológicas ou outras condições que aumentem a possibilidade de aspiração.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). PEG 3350 ou 4000 é a opção de primeira linha tanto para crianças com fecaloma, em esquema de desimpactação, quanto para tratamento de manutenção da constipação funcional.
B) Incorreta. Enema fosfatado não deve ser empregado rotineiramente em lactentes. Nessa faixa etária, distúrbios graves do fósforo, cálcio, volume e função renal podem ocorrer, e a preferência é por estratégias orais seguras.
C) Incorreta. Laxantes estimulantes não são contraindicados de forma geral em crianças nem há uma proibição baseada em risco de invaginação. Podem ser acrescentados em constipação refratária ou como resgate, conforme idade e contexto clínico.
D) Incorreta. O óleo mineral não se torna automaticamente seguro a partir de determinada idade. Deve ser evitado quando houver risco de aspiração, inclusive em crianças maiores com doença neurológica, alteração de deglutição ou outras condições predisponentes.